Ligações de Draghi à banca privada investigadas

  • Ana Luísa Alves
  • 20 Janeiro 2017

Mario Draghi está na mira das investigações europeias pela adesão ao Grupo dos 30 e pelas ligações ao setor financeiro privado, nomeadamente bancos supervisionados pelo BCE.

As ligações entre o Banco Central Europeu e o setor financeiro privado estão sob o escrutínio da União Europeia. Em causa está a ligação de Mario Draghi ao Grupo dos 30, uma organização privada dos mais importantes banqueiros mundiais.

A provedoria de justiça europeia vai averiguar a ligação do presidente do BCE ao grupo dos 30, onde existem também banqueiros cujas instituições são supervisionadas pelo Banco Central Europeu. O governador do Banco do Japão, do Banco de Inglaterra, e do Banco Popular da China também são membros do Grupo dos 30.

O ex-presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, e o ex-presidente da Fed, Ben Bernanke, estão igualmente incluídos no grupo, bem como o presidente do Credit Suisse, Tidjiane Thiam, Axel Weber, líder do UBS, Philipe Hildebrand, vice-presidente do BlackRock, e o ex-presidente do Swiss National Bank.

O inquérito aberto além de investigar as ligações de Draghi ao setor financeiro privado também vai incidir sobre o facto de o Banco Central Europeu ter estado envolvido em alguns escândalos relativos a divulgação acidental de informações financeiras sensíveis antes da sua publicação no site do banco.

A provedora de justiça europeia Emily O’Reilly, que abriu o inquérito ao BCE esta sexta-feira depois de uma queixa vinda do Corporate Europe Observatory, um grupo que se foca no lobbying.

Queixa semelhante foi feita pelo mesmo grupo em 2012, mas não chegou a ser investigada. Desde então, o BCE ganhou algum poder sobre os principais bancos europeus, na sequencia do aprofundar das regras da União Bancária.

“A minha decisão de abrir este inquérito reflete as maiores responsabilidades que têm recaído sobre o BCE nos últimos anos”, disse Emily O’Reilly ao Financial Times.

O Ombudsman Europeu não tem poder para sancionar Mario Draghi, mas pode investigar documentos privados e certificar-se de que são analisados por uma entidade judicial competente para tal.

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