BES: Supervisor do Dubai alertou Banco de Portugal

A SIC revelou esta sexta-feira que o supervisor bancário do Dubai passou informação para o Banco de Portugal sobre uma filial do BES, mas Carlos Costa não atuou sobre as suspeitas.

O Banco de Portugal recebeu diversa informação da entidade supervisora do Dubai sobre o escândalo do BES/GES. Em causa está a ligação de Angola: angolanos politicamente expostos investiram no GES através da maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, revela o último episódio da investigação da SIC, “Assalto ao Castelo”, onde é exposta a troca de correspondência que existiu entre o BdP e a DFSA. Essa documentação mostra que o supervisor português tinha provas sobre as suspeitas nesses investimentos.

A autoridade de supervisão bancária do Dubai terá revelado a associação do Dubai e Luanda nas operações do BES/GES. As cartas a que a SIC teve acesso — que vão de 2010 a 2013 — mostram que a filial do BES no Dubai, a ES Bankers Dubai, mais importância e dimensão dentro do universo GES, ao contrário do que achava Carlos Costa.

No quadro desta colaboração entre os dois supervisores, várias informações foram trocadas. Foi em 2012 que o supervisor bancário do Dubai alerta o BdP sobre a identidade dos clientes angolanos da filial, nomeadamente o seu estatuto. Nessa altura, o Banco de Portugal sabe que 60 por cento dos ativos da filial do BES, em 2011, eram controlados por angolanos politicamente expostos ao poder de José Eduardo dos Santos. A SIC escreve que nesse mesmo ano, quatro desses clientes investiram 750 milhões de euros na filial, sendo que dois terços desse valor teve como destino empresas do GES.

Segundo a estação de televisão, nessa altura já era evidente nas cartas que existiam suspeitas de branqueamento de capitais. Por isso, o supervisor do Dubai, na última carta que endereça à instituição liderada por Carlos Costa, pergunta se estava em curso algum contraordenacional à entidade detentora da filial, a Espírito Santo Financial Group.

Confrontado com esta informação, o Banco de Portugal referiu que a supervisão das filiais, neste caso dos bancos portugueses, é exclusivamente da competência dos reguladores locais no que toca ao terrorismo e ao branqueamento de capitais. Ou seja, que a responsabilidade de investigar seria do supervisor do Dubai.

Esta sexta-feira foi emitida a terceira e última parte da investigação sobre a atuação do supervisor bancário português no caso do Banco Espírito Santo, banco que entrou em resolução em agosto de 2014. Em resposta, o Banco de Portugal fez dois comunicados: no primeiro dizia que não tinha afastado Ricardo Salgado da administração o grupo por falta de provas; no segundo afirmava que o relatório do BPI sobre o BES não alterou nada do que já vinha a ser investigado sobre o banco.

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