Não é só Marcelo. Empresários também estão preocupados com crescimento

Marcelo já não está preocupado com a banca. A preocupação agora é a recuperação económica. Os empresários portugueses partilham dessa preocupação, elegendo a recuperação lenta como risco principal.

O Presidente da República disse esta quinta-feira, em entrevista à Antena 1/RTP, que a sua “grande interrogação” para este ano é: “Até onde vai o crescimento [económico]?”. E Marcelo Rebelo de Sousa não está sozinho nessa preocupação. Um relatório da seguradora Aon revela que as empresas portuguesas olham para a desaceleração económica e para a recuperação lenta da economia portuguesa como o principal risco nacional deste ano. O Global Risk Management Survey de 2017 aponta ainda o risco cibernético pela primeira vez e o risco político.

Na mesma entrevista, Marcelo afirmou que o crescimento é uma prioridade porque favorece não só as finanças públicas do país, aumentando a receita fiscal, mas também a redução da dívida. O Presidente da República disse esperar que “esta tendência (de crescimento) se consolide de modo mais vigoroso”, elegendo o investimento como essencial no futuro e admitindo que o investimento público foi sacrificado para atingir o défice em 2016. Mas o clima mudou: “Eu encontro hoje no contacto com empresários portugueses e estrangeiros uma confiança que não encontrava há um ano”, afirmou.

Contudo, do lado dos empresários, existe uma desconfiança perante a recuperação da economia nacional, de tal forma que o estudo com 1.843 empresas públicas e privadas elegeu-a como o maior risco para o negócio. Esta é uma tendência internacional: as empresas mundiais também elegem a desaceleração económica como o segundo principal risco externo, só superado pelo dano de reputação para a marca ou negócio.

Numa pergunta seguinte, os empresários respondem sobre se existe um plano em marcha para lidar com os problemas. No caso do crescimento económico, apenas 8% das empresas portuguesas considera que existe esse plano. No caso das empresas internacionais esse número sobe para 30%. Noutra pergunta, os empresários referem se houve uma perda de rendimento nos últimos 12 meses por causa desse risco. Para 50% das empresas nacionais o risco de desaceleração económica provocou uma perda de rendimento.

Engane-se quem pensa que esta é apenas uma preocupação presente. As empresas portuguesas consideram que mesmo daqui a três anos, em 2020, o risco de recuperação lenta da economia continuará a verificar-se em Portugal. A nível interacional, o cenário é semelhante, sendo que o risco de desaceleração económica passa a ser o risco número um das empresas daqui a três anos.

As questões relativas à reputação da marca aparece em segundo lugar nas preocupações das empresas portuguesas. De seguida surge o aumento do preço das commodities, as alterações regulatórias e legislativas e a terminar o top 5, o risco político. Segundo a Aon, “o risco político regressa ao top 10 da lista de maiores preocupações, ao mesmo tempo que a preparação para o risco diminuiu de 39% em 2015 para os atuais 27%”.

Top 10 Riscos Nacionais

  1. Desaceleração económica ou recuperação lenta
  2. Dano de reputação para a marca ou negócio
  3. Aumento do preço das commodities (matérias primas)
  4. Alterações regulatórias e legislativas
  5. Risco político
  6. Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade
  7. Interrupção do negócio
  8. Incapacidade de inovar / corresponder à necessidade dos clientes
  9. Questões judiciais (responsabilidade civil)
  10. Crimes cibernéticos

O Global Risk Management Survey de 2017 aponta uma curiosidade relativamente aos resultados deste ano face a períodos anteriores: “Curiosamente, são os países desenvolvidos, tradicionalmente associados à estabilidade política, que se estão a tornar em novas fontes de volatilidade e incerteza“. Acresce que — e isto também é uma ameaça para a recuperação das economias — o protecionismo comercial “está em ascensão”, refere a Aon, assim como o terrorismo e a violência.

Pela primeira vez, o risco cibernético entrou no top 10 dos riscos nacionais para as empresas portuguesas. O presidente executivo da Aon Portugal, Pedro Penalva, explica o fenómeno pelo facto de estarmos a viver “uma nova realidade”. “Há muitas novas influências que estão a criar oportunidades, e simultaneamente riscos que precisam ser geridos de forma mais sofisticada com uma abordagem transversal para uma eficaz gestão de riscos”, refere Penalva.

Das empresas portuguesas envolvidas no estudo, 35% tinha até 249 funcionários e 47% tinha menos de 99 milhões em lucros. 32% das pessoas que responderam eram os responsáveis financeiros (CFO) das empresas em causa. 21% das empresas eram do setor têxtil.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Não é só Marcelo. Empresários também estão preocupados com crescimento

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião