Ufa, França. Quais são as próximas eleições decisivas?

  • Tiago Varzim
  • 8 Maio 2017

Este domingo foi mais um alívio para o Ocidente, com a vitória de Emmanuel Macron. Contudo, 2017 e 2018 são anos recheados de eleições: do Brasil aos Estados Unidos, da Alemanha ao Reino Unido...

Superadas as eleições holandesas e francesas, os próximos meses do ano continuam a ser determinantes para o futuro do mundo. Os olhos estavam postos nas eleições alemãs no final de setembro, mas uma reviravolta no Reino Unido vai levar Theresa May às urnas mais cedo. No próximo ano, é vez de mais um país do Sul da Europa ir a votos, desta vez a Itália, depois da derrota de Renzi no referendo.

Do outro lado do globo, em outubro de 2018, é a vez de os brasileiros tirarem as teimas depois do impeachment de Dilma e a ascensão de Temer. A terminar o ano, as eleições para o Congresso norte-americano vão ser uma prova de fogo da administração de Donald Trump. Mas não só: esta será a oportunidade dos democratas contrabalançarem o domínio total dos republicanos com o Congresso, Senado e Casa Branca. Eis as principais eleições que se avizinham, segundo o guia da Bloomberg:

  • Coreia do Sul – Eleições presidenciais a 9 de maio

A ex-primeira-ministra Park Geun-hye demitiu-se depois de um escândalo de corrupção que a envolveu com as principais empresas do país. A importância das eleições reside na política futura dos sul-coreanos face a ameaça de armas nucleares por parte da Coreia do Norte. Um dos candidatos, Ahn Cheol-soo, apoia a instalação de uma proteção míssil dos Estados Unidos na Coreia do Sul. O ex-líder da oposição Moon Jae-in também concorre.

  • Malta – Eleições legislativas a 3 de junho

Mais uma baixa provocada pelo escândalo dos Panama Papers: desta vez é o primeiro-ministro maltês demissionário e a sua mulher a serem acusados de serem proprietários de uma conta offshore no Panamá. O Ministério Público de Malta está a investigar o caso, mas Joseph Muscat rejeita qualquer envolvimento. A eleição ganha importância por duas razões: primeiro porque Malta está a assumir, até final de junho, a presidência rotativa da União Europeia; e porque o caso vai chegar em breve à comissão de inquérito aos Panama Papers que decorre no Parlamento Europeu.

  • Reino Unido – Eleições gerais a 8 de junho

Os políticos britânicos têm feito jogadas arriscadas: depois de o referendo prometido por Cameron resultar no Brexit, é a vez de Theresa May querer a legitimação das urnas para negociar os termos de saída do Reino Unido da União Europeia. O Partido Conservador, liderado por May, quer a maioria absoluta e as sondagens estão a dar-lhe razão para já, uma vez que a oposição (Partido dos Trabalhistas) está com percentagens tímidas. As eleições vão ser decisivas para as negociações que irão decorrer durante os próximos dois anos com a União Europeia.

  • França – Eleições legislativas a 11 e a 18 de junho

Esta é a primeira prova decisiva que Emmanuel Macron, o recém-eleito Presidente de França, vai ter de enfrentar enquanto líder do país. Sem partido — apenas com o movimento En Marche! –, Macron vai ter de pensar numa estratégia que lhe permita governar sem forças de bloqueio no Parlamento francês. Ao contrário do que aconteceu nas eleições presidenciais, prevê-se que os partidos já estabelecidos consigam melhores votações pela sua capacidade de mobilização local e regional, depois de serem eliminados da segunda volta das presidenciais. O mais provável é que Macron tenha de acertar alianças com os socialistas e republicanos.

  • Angola – Eleições presidenciais a 23 de agosto

João Lourenço, candidato do partido no poder à sucessão de José Eduardo dos Santos, vai a votos. No verão os olhos estarão postos na decisão dos angolanos, mas não só: existem receios sobre a fiabilidade dos resultados e a oposição já pediu maior controlo e transparência. A UNITA tem insistido na necessidade de uma auditoria independente à base de dados dos mais de 9,4 milhões de eleitores registados no processo de atualização, concluído a 31 de março.

  • Alemanha – Eleições gerais a 24 de setembro

Angela Merkel quer continuar a liderar a principal economia europeia, depois de 12 anos no poder. O seu oponente é Martin Schulz, o ex-presidente do Parlamento Europeu que foi eleito como candidato dos sociais-democratas alemães (SPD). Os democratas cristãos de Merkel continuam em primeiro nas sondagens, mas ainda faltam vários meses até ao momento de ir às urnas. Consoante a linguagem usada na campanha, poderá ser expectável uma grande coligação entre os dois principais partidos alemães, mas há uma certeza: o chanceler alemão será crucial para a reforma que Macron quer fazer na União Europeia.

  • Itália – Eleições legislativas em maio de 2018

Depois da derrota no referendo constitucional, Matteo Renzi ganhou as eleições internas no seu partido e voltará a concorrer para formar Governo em Itália. Um dos seus principais oponentes será Luigi Di Maio, aquele que tem sido indicado como o candidato mais provável do movimento extremista Cinco Estrelas. Este movimento quer fazer um referendo sobre a manutenção de Itália na Zona Euro, mas — tal como Marine Le Pen — não tem um plano claro sobre como seria a substituição do euro. Consoante os desenvolvimentos dos próximos meses, esta será mais uma prova de fogo para a Europa.

  • Brasil – Eleições presidenciais em outubro de 2018

Depois do impeachment de Dilma Roussef, o seu vice-presidente Michel Temer tomou posse, mas diz que não se vai recandidatar. Quem poderá regressar é uma figura já bem conhecida dos brasileiros: Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil que esteve no poder de 2003 a 2010. Os eleitores parecem gostar dessa ideia uma vez que Lula da Silva domina as sondagens com 30%, seguido por Marina Silva, uma ativista ambiental. O tema dominante das eleições será certamente o desenvolvimento económico: mesmo com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil está em recessão e em 2017 espera crescer… 0%.

  • Estados Unidos – Eleições para o Congresso a 6 de novembro de 2018

A data está marcada, tal como acontece nas eleições presidenciais. Os 453 lugares do Congresso norte-americano vão a votos, assim como um terço dos 100 lugares no Senado. Dada a complexidade do sistema eleitoral norte-americano, ainda é cedo para se perceber quem terá vantagem. Um dos pontos cruciais será o desempenho da administração Trump, nomeadamente no cumprimento das suas promessas eleitorais.

O Partido Democrata precisa de ganhar vantagem no Congresso ou no Senado para voltar a ter influência na vida política norte-americana e fazer oposição a Donald Trump. Contudo, no Senado, são mais os lugares detidos por democratas a ir eleições do que republicanos, o que torna difícil essa tarefa.

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