Douro procura negócio alternativo: cremes anti-rugas

A base é o engaço. Os investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O financiamento dos fundos comunitários. O objetivo é criar novos produtos como cremes anti-rugas.

Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estão a estudar o aproveitamento do engaço da uva, um subproduto vitícola que resulta de cada vindima, para as indústrias cosmética, farmacêutica e alimentar.

“O engaço é, sem dúvida alguma, uma oportunidade de negócio” para o Douro, disse, à Lusa, Ana Barros, diretora do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da UTAD, começou a estudar formas de valorização deste subproduto em 2014.

"O engaço é, sem dúvida alguma, uma oportunidade de negócio [para o Douro].”

Ana Barros

Diretora do CITAB

Após cada vindima, verifica-se um excedente deste produto que “não é tóxico, não é prejudicial, mas que possui um elevado teor de matéria orgânica, o que significa que poderá representar um potencial problema ao nível ambiental”.

Atualmente, os produtores de vinho optam por depositar em aterros, utilizar como fertilizante ou para servir de alimentação animal, embora possa provocar problemas de digestibilidade. Mas o engaço — que representa 25% dos resíduos orgânicos da indústria vinícola — estava pouco estudado e caracterizado comparativamente com outros subprodutos como as películas, grainhas, borras ou bagaços. Por isso, o CITAB tem apostado na publicação de vários artigos sobre o tema (11 desde 2014).

Ana Barros referiu que os estudos de potencialidade do engaço foram sempre direcionados para uma aplicabilidade na indústria e explicou que os investigadores centraram o seu trabalho em sete castas existentes na Região Demarcada do Douro. Do trabalho realizado é já possível concluir que este subproduto possui características que “ajudam na atividade antibacteriana, anti-inflamatória e antimicrobiana”.

“Conseguimos verificar que, de facto, as potencialidades deste subproduto são enormes (…) e isso leva-nos a crer que, rapidamente, vamos conseguir ter resultados para podermos aplicar esta matriz quer na indústria cosmética, quer farmacêutica quer alimentar”, salientou

E é para “lançar no mercado novos produtos, como creme anti-rugas” que o CITAB se está a candidatar ao Horizonte 2020. Ana Barros contou ao ECO que esta candidatura ao programa de Carlos Moedas — o Horizonte 2020 que tem um orçamento superior a 77 mil milhões de euros — está a ser feito “em conjunto com outras instituições e empresas, nomeadamente uma universidade estrangeira”, mas não avançou para já os outros nomes que integram o consórcio.

"O objetivo é lançar no mercado novos produtos, como creme anti-rugas.”

Ana Barros

Diretora do CITAB

O CITAB tem a expectativa de conseguir 300 mil euros do Horizonte 2020, um montante que lhe permitirá “avançar com os testes de eficácia e segurança do creme anti-rugas”. Testes esses que são levados em humanos, “o que consiste no grande entrave”, são muito dispendiosos e “demoram muito tempo”. Quanto? A responsável disse ao ECO cerca de “ano e meio”.

Mas além deste “financiamento externo”, o CITAB já beneficia de um apoio do Compete, mas que “não chega para lançar novos produtos”. O apoio é dado “dentro do projeto e para desenvolver o trabalho” que tem vindo a ser feito até agora, explicou a responsável.

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