Esta portuguesa já conquistou o Japão. Agora só falta o mundo

Com sede em Lisboa e Cernache do Bonjardim, foi em Leiria que a Sendys produziu uma nova tecnologia para as impressoras topo de gama da marca japonesa Oki.

A empresa portuguesa Sendys não pôs o homem na lua mas levou tecnologia portuguesa no Japão. Através de uma subsidiária em Leiria, o grupo desenvolveu software que será implementado em impressoras topo de gama da marca japonesa Oki. O destino são 29 mercados corporate nos quatro cantos do mundo, num investimento que, da parte do grupo português, “andou à volta de 600.000 euros” só para que começasse “a ser qualquer coisa”, explica Fernando Amaral, o presidente executivo e chairman do grupo.

Podem não ser marcas conhecidas da generalidade dos portugueses. No entanto, a Sendys garante ter faturado 7,4 milhões de euros no ano passado, 70% em Portugal e 30% noutros mercados internacionais como Angola e Moçambique. Tem sede no coração de Lisboa, mas não se fecha na capital: “A sede institucional do grupo Sendys é no sítio onde nasci, em Cernache do Bonjardim”, conta Fernando Amaral. Diz não ser uma decisão de gestão mas sua, “enquanto indivíduo”. “Nunca nos devemos esquecer do sítio onde nascemos”, sublinha o gestor, em conversa com o ECO.

Mas como é que a Oki se interessou pelo trabalho da Sendys? Tudo começou com uma ideia, desenvolvida ao longo de quatro anos e apresentada à Oki Europa. A notícia da solução “Sendys Explorer” espalhou-se depressa nas fileiras da gigante japonesa e acabou por chegar a Tóquio. “Apresentámos à Oki, que se mostrou interessada no desenvolvimento deste negócio para a Europa e para o Médio Oriente e, mais tarde, numa segunda fase, também para o Japão. É uma coisa que nos orgulha bastante porque estamos a falar de diálogo que é feito em solo português e que consegue ter o interesse de um monstro mundial como a Oki. É tecnologia 100% portuguesa, desenvolvida por nós“, indica.

E o que faz esta solução? Está tudo explicado no vídeo acima. O software “Sendys Explorer” interliga computadores, dispositivos móveis e impressoras Oki na “nuvem” (cloud), permitindo a gestão documental à distância e a impressão, a digitalização e o armazenamento de documentos de uma forma mais rápida, simples e intuitiva.

Um rol de desafios

Fernando Amaral não poupa nas palavras para explicar quão desafiante é este projeto para uma empresa como a Sendys. “A atividade tecnológica é das coisas mais desafiantes que há no mercado. Nós não vendemos sapatos, e até os sapatos evoluíram imenso. Sem desprimor, nós vendemos tecnologia. Vendemos um negócio em que temos de estar a trabalhar em coisas que venham a ser importantes para as empresas amanhã. Temos de estar sempre um passo à frente. E fazemos isto há 33 anos”, sublinha o líder desta que, garante, é a software house mais antiga do país.

Entre os desafios, desde logo, está a barreira do idioma. “O site que temos para este produto está em 25 línguas diferentes”, conta. Depois, a criação de uma linha de apoio técnico, que terá de funcionar em fusos horários muito diferentes do de Portugal continental. “O fuso horário de Tóquio é muito diferente do de Portugal. Quando para nós é de noite, para eles é de dia e começam a trabalhar. E quando começam a trabalhar, têm uma dúvida, têm uma questão, e temos de ter alguém disponível para poder dar assistência, conta, ressalvando que esta assistência será feita em inglês.

Nós vendemos tecnologia. Vendemos um negócio em que temos de estar a trabalhar em coisas que venham a ser importantes para as empresas amanhã.

Fernando Amaral

Presidente e chairman do grupo Sendys

À parte dos negócios com a Oki, a Sendys está num processo de internacionalização para novos mercados, como o da América do Sul. E porquê? “A razão principal é porque Angola e Moçambique vivem um momento muito específico da sua História que é do conhecimento de todos nós. Isso obriga-nos a ter de olhar para outras geografias. Outro fator é o de normal crescimento”, sublinha. Diz ser uma “lei da natureza”, pois “tudo o que não cresce, morre”, e que “algumas leis da natureza também se aplicam à gestão e à economia”. Entre os caminhos da estagnação ou o de avançar, a Sendys escolheu este último.

Fernando Amaral é presidente e chairman da SendysD.R.

“Nunca tive ajuda do Estado”

Para Fernando Amaral, há ainda um desafio que é crítico quando o tema em questão é o crescimento das empresas. Trata-se da “imprevisibilidade fiscal”. “É muito difícil hoje, em termos de investimento, montar um plano de negócios. Se me perguntarem qual é a minha previsão a nível fiscal para 2018, consigo dizer com mais facilidade quem vai ser campeão na final em 2018 e com risco menor de falhar. Não consigo dizer qual vai ser o regime fiscal que vamos ter em Portugal em 2018”, defende o empresário, quando questionado se a conjuntura económica é favorável à Sendys.

Mas o gestor vai ainda mais longe nas críticas. “O maior sócio de qualquer empresa é o Estado, que só cá vem tirar dinheiro, com quem não podemos falhar. E nunca sabemos quanto é que esse sócio quer para o ano que vem. É como se tivéssemos um sócio invisível, que nunca investe em nós, mas que todos os anos nos vem cá buscar dinheiro. E que nunca sabemos a um ano, dois ou três, quanto é que vai querer mais”, atira.

"Nunca tive do Estado qualquer tipo de ajuda. Antes pelo contrário. Tenho é contas para pagar.”

Fernando Amaral

Presidente e chairman do grupo Sendys

Diz, por fim, que o problema da imprevisibilidade não é o da fiscal. E diz também que este é “um problema muito europeu”, que ficou evidente com o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, mas também noutro nível, com a eleição de Donald Trump. “A palavra imprevisibilidade é o maior inimigo de qualquer gestor”, remata. “E ela não é só fiscal”, conclui.

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António Costa

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