Moody’s: continuamos “lixo” mas com melhor perspetiva

A agência de notação norte-americana Moody's melhorou o “outlook” da dívida portuguesa. Continua em grau especulativo, mas com perspetivas de melhoria.

Em junho foi a vez da Fitch melhorar a perspetiva para a dívida portuguesa de “estável” para “positiva”, uma indicação de que poderá melhorar no futuro o rating e assim retirar Portugal da categoria de lixo.

Esta sexta-feira foi a vez de a Moody’s pronunciar-se sobre a dívida soberana portuguesa, também melhorando o “outlook” de “estável” para “positivo”. Entre os próximos 12 a 18 meses, a agência poderá então melhorar o rating português. Para que isso aconteça, o PIB e o défice têm de continuar na mesma trajetória — dois reconhecimentos assinalados por Mário Centeno –, mas há outro fator: “o peso muito elevado de dívida” tem de se encaminhar para uma “firme tendência de descida”.

A Moody’s altera a perspetiva referindo três critérios:

  1. A melhoria da resiliência do crescimento económico em Portugal, dado a recuperação do investimento;
  2. A melhoria no défice português suporta a expectativa da Moody’s de que a consolidação orçamental vai continuar;
  3. A melhoria na estrutura da dívida portuguesa e as “consideráveis” almofadas financeiras reduzem os riscos no refinanciamento do país.

Além de melhorar a perspetiva da República para “positiva”, a Moody’s também fez a mesma revisão no rating que atribuiu à empresa do Estado, a Parpublica.

A Moody’s escreve que o crescimento da economia portuguesa trouxe mais “resiliência a choques”. Para o futuro, a agência de notação financeira aconselha Portugal a “melhorar as dinâmicas de investimento”, direcionado a oportunidades produtivas, o que poderia aumentar o “crescimento potencial” — a Moody’s estima que esteve neste momento nos 1,5%.

A agência recorre à subida do PIB no primeiro semestre para fundamentar a sua decisão, esperando um crescimento anual do Produto Interno Bruto de 2,5% este ano, o que ficara acima da média da Zona Euro. “O mais importante para a avaliação da Moody’s é que os contributos para o crescimento têm-se alargado nos trimestres mais recentes para incluir investimento, assim como consumo privado“, assinala o comunicado. A agência destaca ainda a recuperação do setor da construção e a aceleração das exportações, incluindo o turismo.

A dívida nacional tem atualmente um rating de “Ba1”, ainda dentro da categoria de “junk” (lixo). Depois desta revisão em alta da perspetiva, e caso a Moody’s venha concretizar a melhoria da notação financeira, o rating de Portugal passará para ‘Baa3’, ou seja, entrará para a categoria de ‘investment grade’ (dívida de considerada de melhor qualidade).

O rating das agências de notação é um elemento importante que os credores tomam em consideração antes de investir na dívida de um país e tendem a exigir juros mais baixos quanto maior for a notação da dívida. Esta sexta-feira os juros da dívida portuguesa a 10 anos estavam nos 2,841%.

Das três grandes — Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s — apenas esta última mantém a perspetiva “estável”.

A canadiana DBRS, que começou a avaliar a dívida nacional em 2010, foi a única que durante a crise manteve Portugal acima do nível de “lixo”, permitindo ao país continuar a beneficiar do programa de compra de dívida do Banco Central Europeu.

A dívida das administrações públicas na ótica de Maastricht, a que serve de referência para as regras europeias, está nos 249,2 mil milhões de euros em julho, segundo os números divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal. O valor representa um rácio de dívida bruta em função do PIB superior 130%.

(Atualizado pela última vez às 22h13)

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