O rasto dos 24 milhões que José Sócrates tinha na Suíça

O Ministério Público acusa o ex-primeiro-ministro de ter acumulado 24 milhões de euros na Suíça, entre 2006 e 2009. Conheça o rasto do dinheiro, de acordo com a acusação.

José Sócrates e outros 27 arguidos da Operação Marquês foram formalmente acusados esta quarta-feira. Numa nota à comunicação social, o Ministério Público (MP) garante que o antigo primeiro-ministro acumulou na Suíça, entre 2006 e 2009, “um montante superior a 24 milhões de euros”.

Este dinheiro terá sido acumulado graças a luvas que o ex-governante terá recebido dos grupos Lena, Vale do Lobo e Espírito Santo como forma de facilitar negócios ou conceder financiamentos. Na nota remetida à comunicação social, o MP traça o rasto ao dinheiro.

Foi, “num primeiro momento”, recebido em contas controladas por José Paulo Pinto de Sousa, primo do ex-primeiro-ministro e, “mais tarde”, em contas de Carlos Santos Silva, antigo administrador do Grupo Lena, com “prévia passagem por contas de Joaquim Barroca”. Santos Silva conseguiu, depois, “transferir o dinheiro para Portugal”, colocando-o em contas suas mas “para utilizações no interesse de José Sócrates”, indica o MP.

E acrescenta: “Tal utilização passava, designadamente, por levantamentos e entregas de quantias em numerário a José Sócrates, as quais eram efetuadas com a intervenção de Carlos Santos Silva mas também dos arguidos Inês do Rosário, João Perna e Gonçalo Ferreira.”

O MP refere que os fundos foram também usados para “aquisição de imóveis, obras de arte, pagamento de viagens, aquisições de exemplares do livro de José Sócrates e para fazer chegar dinheiro a pessoas” próximas do antigo governante socialista.

“Também a arguida Sofia Fava [ex-companheira de José Sócrates] aceitou figurar como adquirente de um imóvel designado ‘Monte das Margaridas’, sito em Montemor-o-Novo. O imóvel foi adquirido com um financiamento bancário garantido por Carlos Santos Silva, suportado nos fundos trazidos da Suíça”, aponta a nota do MP acerca da acusação.

Além do mais, entre os fundos estariam também pagamentos de Ricardo Salgado que, segundo o MP, “estavam relacionados com intervenções de José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, em favor da estratégia definida” pelo próprio Salgado “para o grupo Portugal Telecom (PT), do qual o BES era acionista”.

Outra proveniência do dinheiro apontada pelo MP seria o grupo Vale do Lobo. “Conluiado com Armando Vara”, ex-ministro e antigo gestor da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Sócrates “recebeu também pagamentos com origem em receitas desviadas do grupo Vale do Lobo. Tais pagamentos foram determinados por administradores de sociedades desse grupo, tendo em vista facilitar a concessão de financiamentos por parte da CGD”, conclui a nota do MP.

(Notícia atualizada às 13h11 com mais informação sobre a proveniência)

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