Vieira Monteiro: Comprar ativos do Novo Banco? “Estou mais interessado em vender os meus”

  • Rita Atalaia
  • 2 Novembro 2017

O presidente do Santander Totta não exclui a hipótese de vir a comprar ativos vendidos pelo Novo Banco. Mas, até lá, Vieira Monteiro diz estar "mais interessado em vender os meus".

Presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro. Paula Nunes/ECOPaula Nunes/ECO

António Vieira Monteiro não põe de lado a possibilidade de vir a comprar ativos que o Novo Banco possa pôr à venda. Mas, até lá, o presidente do Santander Totta está mais “interessado” em vender os ativos da instituição financeira que lidera. As declarações são feitas no dia em que o banco revelou lucros de 332 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 13% em relação ao período homólogo. Resultados que ainda não refletem a aquisição do Banco Popular Portugal, concluída em setembro.

“Se houver alguma coisa que tenha capacidade e se possa comprar”, o banco irá considerar uma oferta, afirma Vieira Monteiro na apresentação dos resultados da instituição financeira. Mas, para que estes ativos possam ser adquiridos pelo Santander Totta, terão de vir acompanhados das “devidas provisões”. Até lá, o presidente do Totta diz que está “mais interessado em vender os meus”, isto numa altura em que o banco aguarda pela luz verde para a integração do Popular.

Ainda sem contar com o banco espanhol, os lucros do Totta aumentaram para 332 milhões de euros. Um crescimento de 13% que tem por base a descida dos custos operacionais para 422,5 milhões de euros (uma quebra homóloga de 7,3%) e a redução em 53% das imparidades e provisões, para 67,7 milhões, que compensaram a quebra do produto bancário.

Questionado sobre se o produto bancário pode vir a melhorar com a integração do Popular, Vieira Monteiro explica que esta queda do produto deve-se sobretudo ao “reajustamento que fazemos na carteira de dívida pública”.

Integração do Popular? Ainda faltam duas autorizações

Sobre quando é que o Popular será integrado no Santander Totta, Vieira Monteiro mantém a perspetiva de que isto acontecerá até ao final do ano. Mas o que é que falta? São, ao todo, duas autorizações. A primeira é a autorização de compra do Totta e de venda do Santander Espanha. A outra é o ‘ok’ à fusão, “que leva à integração”, explica o presidente do banco. No primeiro caso, “o processo passa pelo Banco de Portugal e depois BCE. No segundo, é direito no BCE”, acrescenta. “A documentação pedida está entregue.”

Foi em setembro que o Banco Santander Totta aprovou a compra do Popular Portugal. Esta integração acontece depois de o Grupo Santander ter comprado o Banco Popular por um euro no âmbito da medida de resolução. Falta a “luz verde” dos reguladores.

Totta “não tem intenção” de integrar plataforma do malparado

Relativamente ao malparado, o banco apresentou um rácio de 6,5% em setembro — a cobertura destes créditos em incumprimento “por provisões situou-se em 58,7% –, abaixo da média do sistema financeiro português. Revelou uma melhoria no rácio, isto numa altura em que está assinado o memorando de entendimento para a criação de uma plataforma de gestão destes créditos. CGD, BCP e Novo Banco vão integrar esta solução que só vai gerir créditos individuais acima de cinco milhões numa fase inicial. E não deve contar com o Santander Totta.

“Não conheço os pormenores [sobre a plataforma] para além daqueles que são indicadores pelos vários jornais. Não lhe posso dar informação sobre o que conheço pouco”, responde Vieira Monteiro aos jornalistas na apresentação dos resultados. “O Totta não faz parte desta plataforma, nem tem a intenção de vir a fazer parte dela”, salienta.

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