EDP já tem centrais paradas por causa da seca

Há duas centrais hidroelétricas da EDP paradas por causa da seca. Mais quatro estão sob "gestão prudente". Níveis de água das albufeiras estão perigosamente baixos e o consumo humano é a prioridade.

Portugal tem todo o território em seca extrema e o Governo já faz campanhas de apelo à poupança de água dirigidas aos cidadãos. A produção hídrica da EDP sofreu uma quebra de 40% face ao ano passado, mas este valor vai aumentar porque a elétrica nacional tem seis albufeiras sob gestão “prudente”, sendo que duas delas estão mesmo paradas, por causa da seca, avançou ao ECO fonte oficial da EDP.

A central de Vila-Tabuaço, no rio Távora, e a central de Santa Luzia pararam a produção de eletricidade, porque a água existente nas respetivas albufeiras se destina agora apenas ao consumo público, porque as regras definidas nos contratos de concessão determinam que “o consumo humano é sempre considerado prioritário”.

“Dado o reduzido armazenamento e a existência de uma captação de água para consumo humano, a EDP decidiu deixar de explorar esta albufeira enquanto se mantiverem as atuais condições”, disse fonte oficial da EDP ao ECO.Wikimedia Commons

A gestão das albufeiras da EDP é feita em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e rege-se pelos contratos de concessão. “Os limites (máximos e mínimos) de exploração das diversas albufeiras, bem como eventuais condicionantes, são definidos nos contratos de concessão. Na exploração das suas albufeiras, a EDP considera todas estas limitações contratuais, bem como eventuais pedidos e/ou necessidades de outras partes interessadas, como, por exemplo, Câmaras Municipais, empresas de abastecimento de água e Proteção Civil“, explicou ao ECO, fonte oficial da empresa. “Todas estas decisões são tomadas em articulação permanente com a APA, que recebe informação das albufeiras da EDP em tempo real“, acrescenta a mesma fonte.

A situação particular de seca que o país tem atravessado obrigaram a EDP a começar mais cedo, “ainda no final da primavera”, uma “gestão mais prudente das albufeiras, limitando a sua exploração de modo a manter reservas de água para outros usos”. Para a elétrica liderada por António Mexia, este tipo de gestão no período do verão é normal para acautelar o consumo humano e o regadio, mas a maior seca que o país vive nos 100 anos obriga a medidas adicionais.

Assim, além das duas centrais que já pararam a produção, a EDP foi obrigada a condicionar a produção em Guilhofrei, Carrapatelo, Aguieira/Raiva e Belver. No caso da barragem do Carrapatelo “a EDP acedeu a um pedido da Águas do Norte para manter a cota da albufeira acima do que seria normal”, para permitir que esta empresa de abastecimento “efetue uma captação na capacidade máxima e consiga abastecer a Régua”, avançou fonte oficial. Por outro lado, na Aguieira não só é necessário preservar as reservas necessárias para o consumo humano, mas também acautelar as necessidades do regadio no Baixo Mondego. Finalmente, em Belver, “foi acordado com a APA um modelo de exploração, implementado desde junho, com o objetivo de minimizar a situação de baixos caudais no rio Tejo e de permitir satisfazer as necessidades de regadio”, acrescentou a mesma fonte.

De acordo com os dados do Boletim de Armazenamento nas Albufeiras de Portugal Continental do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) quase metade das 60 albufeiras do país têm disponibilidades hídricas inferiores a 40% do volume total e existe uma descida da água armazenada em dez bacias hidrográficas. Resultados do longo período de seca e do facto de o mês de outubro ser o mais seco dos últimos 20 anos e 75,2% do território estar em seca extrema (quase 25% está em seca severa).

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