Pressão na Altice. Standard & Poor’s coloca dívida com outlook negativo

Altice continua sob pressão. Depois dos investidores e dos acionistas, agora foi a vez de a agência Standard & Poor's deixar um aviso ao grupo francês com uma descida do outlook. Rating está ameaçado.

Mais um foco de pressão para a Altice. Depois dos investidores e até dos acionistas, agora foi a vez de a agência Standard & Poor’s deixar um aviso ao grupo francês. Para já baixou o outlook (perspetivas de evolução) da dívida de estável para negativo, o que ameaça o rating de “B+” da operadora que detém a Meo em Portugal.

“A redução do outlook segue-se à revisão em baixa das expectativas da administração para o crescimento do EBITDA em 2017 para cerca de 6%, face às perspetivas de crescimento a dois dígitos, devido sobretudo aos resultados abaixo do esperado nas operações em França — onde o grupo gera cerca de 40% do seu EBITDA consolidado — que, segundo as notícias, se deveram a contratempos administrativos e operacionais”, justifica a agência.

E continua: “A revisão do outlook reflete ainda o colapso recente na capitalização bolsista do grupo e a deterioração da confiança do mercado de crédito, que, se não for restaurada através de um plano de redução da dívida credível e de uma recuperação do negócio em França, poderá resultar num aumento dos custos de financiamento a médio prazo”.

A S&P considera que a administração falhou no cumprimento dos objetivos para a desalavancagem do grupo, tendo prometido uma dívida correspondente a quatro vezes o seu EBITDA, quando na verdade este rácio ficou bem acima: 5,1 vezes.

Neste ponto, a agência lançou dúvidas em relação à aposta da Altice em conteúdos televisivos, argumentando inclusivamente que a compra da Media Capital em Portugal não se adequa aos parâmetros de uma política financeira que tem em vista uma redução da dívida.

Podemos baixar o rating numa nota no próximo ano se a gestão do grupo não conseguir restaurar as operações em França (…) ou se falhar na correção da dívida em termos absolutos”, avisa a S&P. “Além disso, podemos baixar o rating no caso de novas preocupações de gestão ou governance ou se as adversas condições do mercado persistirem”, frisa ainda.

O que é um rating?

Patrick Drahi, fundador do grupo, encontra-se sob pressão de todo o lado (incluindo os próprios acionistas) depois de ter lançado um profit warning na apresentação dos resultados do terceiro trimestre do ano. Os resultados aquém do esperado colocaram a Altice no radar dos mercados, com os investidores a questionarem-se sobre a sustentabilidade da dívida do grupo francês, que ascende a cerca de 50 mil milhões de euros.

Na bolsa de Amesterdão, as ações perdem valor todos os dias, refletindo a enorme desconfiança do mercado. Já perderam 60% desde o início do ano, uma derrocada que fez baixar um valor do grupo em bolsa dos 25 mil milhões para apenas 10,7 mil milhões de euros. Esta quinta-feira, a sessão tem sido mais tranquila: a Altice segue em alta de 4,59% para 7,9 euros, num movimento de recuperação face às perdas acentuadas nas últimas sessões.

Para acalmar os mercados, Drahi anunciou recentemente uma inversão na estratégia de expansão internacional do grupo, admitindo inclusivamente desfazer-se de alguns ativos. Em cima da mesa poderá estar a alienação de algumas torres de comunicações em França e ainda do negócio na República Dominicana. Mas isto não está a ser suficiente para travar a enorme desconfiança dos analistas que dizem que só vendendo os ativos em Portugal (além da Meo, a Altice está em vias de finalizar a compra da Media Capital por mais de 400 milhões de euros) e nos EUA poderá recuperar o otimismo do mercado.

Talvez antecipando esta decisão da S&P, Drahi endereçou esta semana uma carta aos trabalhadores da PT, numa tentativa de tranquilizar o ambiente interno, após uma remodelação profunda nos cargos de topo em Portugal. “Quero que tenham presente que, apesar da queda da cotação na bolsa, nós beneficiamos hoje de uma clara estabilidade financeira. A nossa dívida está garantida a 85% com taxa fixa e o primeiro reembolso relevante não acontecerá antes de 2022. Quer isto dizer, claramente, que se as taxas subirem ou se as agências revirem a notação da nossa dívida, tal não terá rigorosamente nenhum impacto na empresa nos cinco próximos anos.”

(Notícia atualizada às 12h24)

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