Francisco Lacerda: “Não estamos a falar de um despedimento coletivo” nos CTT

Francisco Lacerda considera que a saída de cerca de mil funcionários até 2020 "não é um número impossível de gerir" e garante que não há necessidade de recorrer à figura do despedimento coletivo.

Não estamos a falar de despedimento, e muito menos de despedimento coletivo”. É desta forma perentória que Francisco Lacerda reage aos números avançados no plano de reestruturação dos CTT, que prevê a saída de mil pessoas até 2020. O presidente executivo, na sua primeira entrevista desde a apresentação do plano, sublinhou que não está em causa um “número impossível de gerir”.

No programa ECO24, transmitido pela TVI 24, Francisco Lacerda explicou que a empresa não vai apresentar nenhum plano de reestruturação dos CTT à Segurança Social para levar a cabo este nível de rescisões, tal como abordado esta quinta-feira no debate quinzenal, porque os trabalhadores “vão saindo naturalmente, ao longo dos três anos” previstos no plano. Em causa está, precisou, “gerir uma situação na continuidade”, “com respeito pelas pessoas”.

Ou seja, segundo Francisco Lacerda há cerca de 500 trabalhadores contratados a prazo, “num determinado ciclo para reforçar temporariamente”, explicou, cujos contratos em alguns casos poderão não ser renovados. Há ainda mais de 200 que estão próximos da idade da reforma e que podem manifestar vontade de sair naturalmente. Mas isto não quer dizer que não haverá rescisões por mútuo acordo: “Têm existido até aqui e (…) continuarão a existir”.

“Os CTT, no final de 2013, tinham cerca de 12 mil trabalhadores, na época da privatização, e continuam a ter”, disse Francisco Lacerda.

Francisco Lacerda não quis revelar quais as condições que vão ser oferecidas aos trabalhadores no caso das rescisões amigáveis. Explicou apenas que está um processo “neste momento, em curso, mais vocacionado para os serviços centrais”, que deverá ter cerca de 200 adesões, sendo que “140 já estão concretizadas”. O despedimento destes 200 trabalhadores resultará em poupanças de cinco a seis milhões de euros a partir de 2020, mas também irá custar 14 milhões de euros em indemnizações, de acordo com o comunicado revelado na terça-feira.

Contando com uma força de trabalho que ronda os 12.400 trabalhadores, Francisco Lacerda defende que é possível “funcionar com menos pessoas”. “Garantindo o serviço universal e os critérios de qualidade e aumentando a qualidade do serviço pensamos que a infraestrutura pode funcionar com menos pessoas. Porque haverá menos volumes, porque os volumes que nascem das encomendas não compensam na totalidade os volumes de cartas a menos e porque se espera uma automatização ainda maior dos centros de processamento e das outras atividades”, justifica.

Garantindo o serviço universal e dos critérios de qualidade e aumentando a qualidade do serviço pensamos que a infraestrutura pode funcionar com menos pessoas.

Francisco Lacerda

Presidente executivo dos CTT

É neste contexto que surge a saída de cerca de 800 trabalhadores principalmente do setor operacional, onde a empresa tem cerca de sete mil pessoas. “Estamos a desenhar uma infraestrutura diferente adaptada à realidade de hoje”, precisou.

Com estes despedimentos, os CTT esperam poupar até 31 milhões de euros, um impacto positivo que só irá fazer-se sentir no EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 2020. Os custos imediatos com indemnizações deverão superar este valor, ascendendo a 39 milhões de euros entre 2018 e 2019, estima a empresa.

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