Professores fazem greve entre 13 e 16 de março

  • Marta Santos Silva e Lusa
  • 15 Fevereiro 2018

O protesto decorrerá faseadamente, por regiões e é convocado por dez estruturas sindicais. "Está nas mãos do Governo evitar esta greve", disse o dirigente sindical da FNE.

Os professores vão estar em greve entre 13 e 16 de março, confirmaram nesta quinta-feira diferentes organizações sindicais do setor em conferência de imprensa junto ao Ministério da Educação, em Lisboa. O protesto decorrerá faseadamente, por regiões e é convocado por dez estruturas sindicais, incluindo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE).

Mário Nogueira, da Fenprof, explicou ao ECO que a greve decorrerá faseadamente entre os dias 13 e 16 de março, para não prejudicar tanto os professores como se fizessem greve durante quatro dias. “Entendemos sempre que as formas de luta são muito mais úteis quanto menos prejudicarem quem luta e mais prejudicarem a quem são dirigidas”, explicou o dirigente sindical. Assim, no dia 13 os professores de Lisboa e da Madeira vão ser convocados para greve, no dia 14 a convocatória é para a região Sul, no dia 15 a região Centro e no dia 16, sexta-feira, a região Norte e a região autónoma dos Açores.

João Dias da Silva, dirigente da FNE, explicou ao ECO que a possibilidade de convocar a greve em março ainda estava em estudos, perante o “desenvolvimento do processo negocial”, acrescentando que “está nas mãos do Governo evitar esta greve”. Para o sindicalista, existem algumas prioridades que os representantes dos professores têm exigido ver resolvidas desde a assinatura de um compromisso negocial com o Ministério da Educação em novembro que ainda não avançaram. “Este adiamento sucesso na apresentação de propostas concretas é o que nos faz dizer que os professores se sentem desconfortáveis e acham que o Governo tem de passar das palavras aos atos”, acrescentou.

Algumas das principais questões que precisam de ver resposta estão relacionadas com o descongelamento das carreiras da Função Pública, que tem afetado de forma particular os professores, por terem uma carreira especial. Durante o período do congelamento, os professores que entraram para a carreira docente não puderam sair do primeiro escalão, e o Governo comprometera-se, por exemplo, a realizar um reposicionamento para colocar esses docentes no escalão onde estariam se o tempo de serviço fosse contado. No entanto, “já estamos na segunda metade do mês de fevereiro e ainda não temos um quadro claro de como vai acontecer essa recuperação”, afirmou João Dias da Silva ao ECO.

Também Mário Nogueira, da Fenprof, se demonstrou frustrado pelo que diz serem falta de propostas do Ministério. “Dá ideia de que as reuniões são para ir empatando”, afirmou. “Começa a ficar a ideia de que o Ministério pode ir marcando reuniões, mas a negociação não se mede pelo número de reuniões”.

Começa a ficar a ideia de que o Ministério pode ir marcando reuniões, mas a negociação não se mede pelo número de reuniões.

Mário Nogueira

Dirigente da Fenprof

Também a contagem do tempo de serviço realizado durante o congelamento para a progressão dos professores na carreira tem sido uma das exigências dos sindicatos a que o Governo concordou aceder, mas sem propostas concretas sobre de que forma o faria.

Existem ainda outras questões. “A reorganização do tempo de trabalho dos professores, a compensação do desgaste profissional das pessoas, são questões que andam a ser constantemente levantadas, e os meses vão passando e nas reuniões não há evolução”, continuou o sindicalista.

O Governo comprometeu-se a que o reposicionamento dos docentes na carreira tivesse efeitos a 1 de janeiro de 2018, mas para João Dias da Silva esse compromisso não basta para evitar o avanço para a greve se não houverem novidades em breve.

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