Carlos Tavares vai acumular cargos de CEO e chairman no Montepio

Será uma solução temporária até que a dona do Montepio encontre um novo CEO com experiência no retalho. Mota Pinto será administrador. Lista vai incompleta para o Banco de Portugal até segunda-feira.

Carlos Tavares vai acumular os cargos de presidente do conselho de administração e de presidente executivo da Caixa Económica Montepio Geral, sabe o ECO. Nuno Mota Pinto, indicado inicialmente por Tomás Correia para as funções de CEO do banco, será “despromovido” a administrador executivo. A lista dos nomes da nova administração do banco seguirá para o Banco de Portugal até à próxima segunda-feira. Mas ainda está incompleta.

Ao que o ECO apurou, a acumulação de funções por parte do antigo presidente da CMVM será transitória. O Jornal Económico já tinha avançado que Tavares seria chairman do banco, em substituição do primeiro nome proposta, o de Francisco Fonseca da Silva, chumbado pelo Banco de Portugal por ter relações comerciais com o próprio banco. Com este novo modelode governação, a Associação Mutualista, dona do banco, cria uma solução temporária que permite ganhar tempo até encontrar um novo CEO com um perfil diferente do de Nuno Mota Pinto: isto é, com maior experiência na banca de retalho.

Em princípio, o Banco de Portugal não vai opor-se a este cenário. Até porque ainda há pouco mais de um ano foi o próprio Banco Central Europeu (BCE) a autorizar que António Domingues pudesse vir a assumir funções de CEO e chairman na Caixa Geral de Depósitos durante seis meses. Assim, se o regulador máximo aceita, então Carlos Costa também deverá ir pela mesma bitola: Tomás Correia terá meio ano para selecionar um novo presidente da Comissão Executiva.

Quanto a Nuno Mota Pinto, esta “despromoção” para administrador executivo face ao cargo para o qual tinha sido apontando desde início (de CEO) tem sobretudo a ver com a falta de vocação do ex-administrador do Banco Mundial para aquilo que é o negócio core da Caixa Económica Montepio: o retalho. E questões relacionadas com incumprimento de crédito pouco ou nada tiveram a ver com isto.

Os nomes seguirão para o Banco de Portugal entre hoje e segunda-feira. Mas será uma lista incompleta porque vão faltar alguns administradores não executivos. Aliás, tanto do lado da Associação Mutualista e como do Banco de Portugal há uma espécie de consenso: não vale a pena fechar a lista sem que os nomes apresentem total credibilidade e confiança dos responsáveis.

O ECO tentou contactar a Associação Mutualista, mas não esteve disponível para responder imediatamente.

Passaram-se quase três meses desde que Tomás Correia anunciou que a atual administração liderada por José Félix Morgado estava de saída. Foi em dezembro passado. Embora não coloque em causa o normal funcionamento do banco, este atraso tem impedido a Caixa Económica de avançar com outras operações de relevo, seja a venda de carteiras de crédito, seja a emissão de títulos de dívida de alta subordinação, como exigido pelo BCE.

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