CaixaBI esmaga avaliação dos CTT em um terço. Lacerda tem “missão difícil pela frente”

Banco de investimento avizinha tempos difíceis para o operador postal liderado por Francisco Lacerda. E cortou a avaliação das ações em mais de um terço.

Francisco Lacerda tem “uma missão difícil” à frente dos CTT CTT 1,19% , dizem os analistas do CaixaBI. Desafios que levaram o banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos a esmagar a avaliação da empresa de correios em mais de um terço.

O CaixaBI é apenas o último banco de investimento a cortar o preço-alvo do operador após um ano de 2017 completamente desastroso para o negócio postal. O banco avalia agora as ações dos CTT em 3,10 euros, traduzindo-se num corte de 34% face à anterior estimativa de 4,70 euros. Quando foram para a bolsa, em dezembro de 2013, valiam 5,52 euros.

“Afinámos as nossas estimativas depois da apresentação dos resultados de 2017. Os números do quarto trimestre saíram melhor do que esperado, nomeadamente nos negócios de Correio e Expresso & Encomendas. Contudo, o cenário geral da empresa mantém-se, com os CTT a operarem num ambiente difícil e sujeitos a vários riscos, nomeadamente em relação à evolução dos volumes de Correio e dos Serviços Financeiros”, dizem os analistas.

As ações dos CTT fecharam esta sexta-feira a cotarem-se nos 3,016 euros, negociando em mínimos históricos. O mercado avalia a empresa em 456 milhões de euros.

Segundo o CaixaBI, a história de investimento dos CTT costumava ser bastante claro até ao dia em que a empresa apresentou o Plano de Transformação Operacional, em dezembro de 2017, e com o qual conta dar a volta à crise nos próximos três anos. “Mas, e agora? Como vemos o caso de investimento dos CTT? O que podemos esperar nos próximos anos?”, questiona a equipa de research do banco.

“A maior mudança no negócio dos CTT poderá vir do Banco CTT no médio prazo”, começam por responder os analistas do CaixaBI. “Tendo em conta a tendência de declínio das receitas e do EBITDA no segmento Correio, o Banco CTT poderá ser a principal alavanca para a empresa aumentar o seu desempenho operacional e suportar a sua remuneração aos acionistas”, explicam.

Em relação aos Serviços Financeiros, segmento “que era até agora considerado até agora a jóia da coroa” dos CTT, “estão agora sob elevada pressão, como admitiu a gestão no seu outlook para 2018”. Isto por causa do menor interesse dos aforradores com os títulos de dívida do Estado, nomeadamente os Certificados do Tesouro e de Aforro. “Pensamos que o apetite dos investidores para estes produtos vai continuar a abrandar devido à baixa remuneração e representa, por isso, um risco negativo neste segmento”, explica o CaixaBI.

Já no que toca ao Correio, que representa 70% da faturação dos CTT, as notícias também não são positivas. “Continuamos a antecipar quebras nos volumes de correio endereçado na ordem dos 7% em 2018 e nos anos seguintes. E pensamos que os CTT vão continuar a ter dificuldades (…) tendo em conta o aumento da concorrência e dos esforços do governo para reduzir o consumo de correio (efeito de substituição das notificações eletrónicas)”, contextualiza o CaixaBI.

Os CTT apresentaram uma queda histórica do lucro em 2017: -56% para 27 milhões de euros. Em curso está um plano de reestruturação que vai levar à saída de 800 trabalhadores e ao fecho de mais de duas dezenas de lojas. Adicionalmente, Lacerda abriu a porta a mais cortes na política de dividendos.

CTT cederam para novo mínimo

(Notícia atualizada às 18h00)

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