Facebook recolhe dados fora da rede social. Mas diz que os outros também o fazem

Mark Zuckerberg, líder do Facebook, disse no Congresso que a rede social também recolhe dados de quem não é utilizador. Empresa vem agora dizer que não é a única e aponta o dedo à Google e ao Twitter.

Mark Zuckerberg respondeu perante o Senado e a Câmara dos Representantes. Ao todo, as duas sessões duraram dez horas.Facebook/D.R.

A rede social Facebook diz que outras tecnológicas concorrentes também recolhem dados de pessoas que não são utilizadoras, apontando o dedo ao Twitter, à Google, ao LinkedIn e à Amazon. Uma semana depois das duas audições do presidente executivo no Congresso dos Estados Unidos, onde Mark Zuckerberg revelou que o Facebook recolhe dados mesmo de pessoas que não têm conta na rede social, a empresa veio prestar explicações sobre este assunto ao público.

“Quando visita um site ou aplicação que usa os nossos serviços, recebemos informação sobre se tem o log in feito ou se não tem conta na rede social. Isto acontece porque outras aplicações e sites não sabem quem está a usar o Facebook”, justifica a empresa num artigo no blogue oficial, assinado por David Baser, diretor de gestão de produto. “Muitas outras companhias oferecem este tipo de serviços”, atira o responsável.

E continua: “Twitter, Pinterest e LinkedIn também têm botões parecidos com o ‘Gosto’ e o ‘Partilhar’ que ajudam as pessoas a partilhar coisas nos respetivos serviços. A Google tem um serviço de analítica muito popular. E Amazon, Google e Twitter também têm funcionalidades de log in [em sites externos]. Estas companhias — e muitas outras — também fornecem serviços de publicidade. Na realidade, a maioria dos sites e das aplicações também enviam informações para várias companhias sempre que as visita.”

A empresa aproveita a oportunidade para revelar, por alto, que dados são recolhidos em situações em que o utilizador não está no Facebook, mas tem o log in feito, ou está num site que mostra os botões típicos da rede social. Entre elas estão o endereço de IP do utilizador (número que identifica um acesso à internet), o browser que usa para aceder e o sistema operativo do equipamento.

David Baser garante que estas informações são recolhidas por razões de segurança, de compatibilidade de sistemas, para análise do comportamento do utilizador e reconhece, também, que são usadas para melhor segmentar publicidade nesses sites e aplicações. Ou seja, para mostrar aos utilizadores anúncios que sejam mais relevantes, uma outra forma de dizer que têm mais probabilidade de gerar o efeito pretendido junto do utilizador — comprar um produto ou reconhecer uma marca, por exemplo.

Ora, como nota o site especializado TechCrunch, fica a faltar ao Facebook responder a uma questão que foi colocada ao presidente executivo, Mark Zuckerberg, no Congresso: se o Facebook, com base nestas informações recolhidas, constrói ou não um “perfil fantasma” dos utilizadores que não têm conta, como forma de seguir os passos desse utilizador e continuar a mostrar-lhe esses anúncios mais relevantes. Além disso, a rede social não explica como dar a estes utilizadores sem conta a possibilidade de não verem os seus dados serem recolhidos, de todo, pela empresa.

O Facebook tem estado sob pressão nas últimas semanas, depois de se saber que uma consultora chamada Cambridge Analytica terá usado indevidamente os dados de 87 milhões de utilizadores da rede social para favorecer Donald Trump na corrida à Casa Branca. Na semana passada, Mark Zuckerberg revelou ao Congresso também ter sido uma das vítimas.

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