OPA tem “ponto forte: o projeto para a EDP”. Preço? “Não há ninguém que aceite”, diz Marques Mendes

A China Three Gorges lançou uma OPA à EDP, uma operação que, diz Marques Mendes, era "inevitável". Defende o projeto para a elétrica nacional, mas não a este preço. E diz que Costa foi "precipitado".

A China Three Gorges, maior acionista da EDP, lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital da elétrica portuguesa. A OPA era “inevitável”, diz Luís Marques Mendes, salientado que os chineses anteciparam-se a outros interessados com uma proposta que tem como “ponto forte” o projeto apresentado para a elétrica nacional. Mas o preço não convence. Vão “ter de ter um Plano B”, diz.

No habitual espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes diz que a China Three Gorges fizeram uma “jogada de antecipação”, isto porque “na Europa estão a ocorrer varias operações” de concentração entre grandes grupos energéticos. E é uma “jogada com sentido estratégico. Par os chineses a EDP não é dividendos, é fazer crescer EDP como porta de entrada para a Europa e EUA”, nota.

Esta OPA tem um “ponto muito forte: o projeto que apresentam”, salienta Marques Mendes.Querem que a EDP seja PT, autónoma, com sede e estrutura em Portugal. Querem uma EDP mais forte e competitiva, querem incorporar na EDP outras posições [que têm no setor], e querem EDP cotada em bolsa”. “Tudo isso é bom”, diz.

Os chineses “querem uma EDP unida, não desmantelada”. A “iniciativa é boa”, melhor do que se a EDP fosse comprada por outra empresas concorrente na Europa. “Será melhor para PT controlada pelos chineses que europeia. Corria-se risco de a sede sair e de ser desmantelada”, salienta no comentário semanal na SIC.

Apesar de todos estes pontos positivos, há um “ponto fraco: o preço”, diz Marques Mendes. Na oferta preliminar que deu entrada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a China Three Gorges definiu uma contrapartida de 3,26 euros. A proposta representa um prémio de 5%, sendo que no caso da EDP Renováveis a contrapartida é inferior à atual cotação de mercado.

“Não há ninguém que aceite”, diz Marques Mendes. A China Three Gorges “comprou mais de 20%, há seis anos, por um valor superior, E agora pelo controlo” apresenta um valor inferior. “Vão ter de ter Plano B” para conseguirem convencer os acionistas a aceitarem a sua proposta. E mesmo que consigam convencer, esta OPA será um “processo longo”. “Pode haver problemas sérios em termos de regulação, nomeadamente nos EUA, com Trump, e na Europa, em termos de concorrência”.

António Costa “não esteve bem”

Assim que foi lançada a OPA por parte da China Three Gorges sobre a EDP, António Costa foi rápido a reagir à oferta. “O Governo não tem nada a opor” relativamente à compra da elétrica nacional pela companhia estatal chinesa, acrescentando que “os investidores chineses têm sido bons investidores em Portugal”.

Marques Mendes critica a atuação do primeiro-ministro. “Não esteve bem. Foi imprudente e precipitado. António Costa veio logo dizer que não problema nenhum”. O Estado não é acionista da EDP, pelo que “Costa não tem de se pronunciar”. É o que ele próprio costuma dizer: “à economia o que é da economia” e à esfera privada o que é privado.

O comentador mostra-se contra a atuação do primeiro-ministro neste processo, salientando, no entanto, que é “claro que os chineses falaram antes com António Costa”, tal como já tinha sido avançado pelo Expresso. Recorde-se que a China Three Gorges põe como uma das condições da oferta a não oposição do Governo à operação.

(Notícia atualizada às 21h39 com mais informação)

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