Novo Banco engorda lucros do setor. Imparidades emagrecem

  • Rita Atalaia
  • 12 Junho 2018

É a primeira vez em muitos trimestres que os maiores bancos conseguem, todos, resultados positivos. O Novo Banco foi a surpresa, permitindo que os lucros do setor superassem a fasquia dos 500 milhões.

A banca está de regresso aos lucros. Depois de a Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, BPI e Santander Totta terem apresentado resultados positivos no arranque do ano, o Novo Banco vem agora engordar estes lucros, levando-os a superar os 500 milhões de euros. As maiores instituições financeiras colhem assim os frutos dos esforços para regressarem à rentabilidade, beneficiando da quebra das imparidades, mas também do aumento das margens.

O Novo Banco passou de prejuízos a lucros nos primeiros três meses do ano. Registou um resultado positivo de 60,9 milhões de euros, em comparação com um prejuízo de 130,9 milhões de euros no período homólogo. Uma recuperação que, segundo a instituição financeira liderada por António Ramalho, se deve sobretudo à venda do ramo segurador GNB Vida.

Cinco maiores bancos estão de regresso aos lucros

Estes lucros vêm aumentar o “bolo” do setor para 554,9 milhões de euros, no qual o BPI é o responsável pela maior “fatia”: sozinho lucrou 210 milhões de euros. Isto depois de ter sido também o banco liderado por Pablo Forero um dos principais “culpados” pelos lucros de apenas 55,6 milhões registados no setor nos primeiros três meses de 2017. Enquanto o Novo Banco perdeu 130 milhões, o BPI teve prejuízos de 122 milhões.

Em segundo lugar neste top dos lucros surge o Santander Totta, com um resultado positivo de 130,5 milhões de euros — já com a integração total do Banco Popular Portugal, seguida do BCP, que ganhou 85,6 milhões de euros. A CGD foi a “mais pequena” em termos de lucros, mas quando comparado com o mesmo período do ano passado, é das instituições financeiras que mais recuperou: deixou para trás prejuízos de 39 milhões de euros.

Novo Banco contribui para queda das imparidades

Se o banco liderado por António Ramalho contribuiu para que os cinco maiores bancos registassem lucros de mais de 500 milhões de euros, os seus resultados também não penalizaram muito as imparidades.

O total das imparidades reconhecidas nas contas dos primeiros três meses deste ano passou de 380,8 milhões para apenas 142,5 milhões de euros, segundo cálculos do ECO, com base nas contas dos bancos. Isto com o “contributo” de 37,8 milhões de euros da entidade que foi comprada em outubro pelo fundo norte-americano Lone Star.

No caso do BPI e do Santander Totta, houve mesmo uma reversão das imparidades. Ou seja, os bancos, depois de terem reconhecido imparidades significativas nas suas contas, acabaram por conseguir recuperar mais do que o previsto destes créditos em incumprimento. Isto traduziu-se num impacto positivo nos resultados. No BCP, apesar de o montante para provisões ainda ser elevado, também caiu para 106, enquanto a CGD registou menos 95 milhões em imparidades — assumiu uma perda de 13 milhões de euros.

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