Conselho do Montepio aprova entrada da Santa Casa na quinta-feira

É já na próxima semana que a Associação Mutualista vai votar a venda de 2% no Montepio à Santa Casa. A partir do momento que esta operação seja aprovada, entrada pode acontecer a qualquer momento.

De 200 para menos de 20 milhões de euros por uma participação “simbólica”. É já na próxima semana que a Associação Mutualista vai abrir a porta à entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) no capital do Montepio, apurou o ECO. A venda de uma participação de até 2% no capital social do banco a todas as misericórdias e entidades sociais que manifestaram interesse em participar neste investimento será votada, e ao que tudo indica aprovada, em Conselho Geral da Mutualista.

Os conselheiros da entidade liderada por Tomás Correia vão reunir-se no dia 28 de junho. E, de acordo com a ordem de trabalhos do Conselho Geral, em cima da mesa está a votação da alienação de parte do Montepio à SCML e a outras instituições da economia social. Cada ação será vendida por um euro. Considerando a avaliação do banco de 1.800 milhões de euros, isto significa que esta participação total está avaliada em 36 milhões. Ou seja, 18 milhões de euros serão investidos pela Santa Casa, como já tinha referido o provedor Edmundo Martinho, e os outros 18 pelas misericórdias e IPSS.

A entrada da SCML, juntamente com outras entidades sociais, no banco liderado por Carlos Tavares deveria ter ficado concluída no final do ano passado, um prazo que acabou por ser estendido até maio e que encontra agora um desfecho. Ao que o ECO apurou, a partir do momento que o Conselho Geral aprove esta venda da participação, a SCML e as outras entidades poderão entrar no capital do Montepio no dia seguinte.

"No final do ano veio ao de cima a história dos 200 milhões de euros por 10% do capital do banco e isso tornou o debate muito mais clamoroso. Nalguns momentos foi de uma indigência total.”

Edmundo Martinho

Provedor da SCML

A possibilidade de a SCML entrar no capital do Montepio tornou-se pública em setembro, embora estivesse a ser discutida há já quase um ano. Começou por ser apontado um investimento de 200 milhões da entidade em conjunto com IPSS e outras misericórdias, por uma participação de 10%, mas perante as críticas à operação, este valor acabou por encolher.

“No final do ano veio ao de cima a história dos 200 milhões de euros por 10% do capital do banco e isso tornou o debate muito mais clamoroso. Nalguns momentos foi de uma indigência total”, afirmou Edmundo Martinho em maio, explicando que decisão da entrada no capital do banco só não se deu até ao final de 2017 devido ao “clamor público que surgiu“, já que “a SCML não pode considerar-se imune ao ambiente em que opera”.

Na mesma altura, o provedor garantiu que a SCML continuava “empenhada em fazer parte de um banco da economia social, em entrar no capital do Montepio. Sobre isso não há dúvida, não há recuo“. Seria, contudo, necessário adaptar-se a uma “realidade nova” e entrar “em conjunto com dezenas de entidades da economia social, de forma simbólica, para reafirmar a vontade de que haja um banco forte da economia social”.

De acordo com Edmundo Martinho, o montante a investir por parte das restantes entidades poderá ir dos 10 mil aos 100 mil euros. “É uma mobilização que não tem efeitos e repercussões financeiras no capital do banco”, garantiu.

Contudo, esta garantia não convenceu os partidos, que acabaram por pedir ao Governo para não autorizar esta entrada da Santa Casa no Montepio. Um pedido que o ministro do Trabalho e Solidariedade afirmou ir “analisar” e que acabou por levar a Santa Casa a fazer um “compasso de espera” que, agora, está prestes a terminar.

Contactadas pelo ECO, a Associação Mutualista e a Santa Casa da Misericórdia não quiseram comentar.

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