Empresas portuguesas são das mais pessimistas com o Brexit

  • Lusa
  • 18 Julho 2018

Portugal é o país da Europa em que as empresas estão mais pessimistas com o cenário da saída do Reino Unido da União Europeia. Só a Noruega acredita que o divórcio é mais positivo do que negativo.

As empresas portuguesas são as mais pessimistas da Europa relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia, o denominado Brexit, revela o relatório anual European Payment Report 2018 da Intrum, publicado esta quarta-feira. Em comunicado, a Intrum adianta que “Portugal é o país europeu onde o maior número de empresas (54%) receia que uma União Europeia fragilizada possa afetar negativamente os seus negócios”.

De acordo com o relatório anual, que analisa o comportamento de pagamentos das empresas e do Estado, as empresas portuguesas são as que estão mais pessimistas em relação ao Brexit. “Das empresas portuguesas inquiridas, 54% afirmam esperar que uma União Europeia enfraquecida afete os seus negócios de forma negativa. Uma postura mais pessimista, quando comparada com a média europeia, em que 23% das empresas partilham o mesmo sentimento”, refere o estudo.

Além de Portugal, a Grécia (50%), Irlanda (45%) e a República Checa (42%) integram os países mais apreensivos com o efeito do Brexit, sendo que dos 20 países inquiridos, apenas a Noruega acredita que o impacto da saída do Reino Unido da UE será mais positivo (7%) que negativo (6%), mas apenas por uma pequena margem.

“A Suíça e o Reino Unido são os únicos países em que as respostas positivas atingem os dois dígitos, com 13% e 25%, respetivamente, valor muito superior à média dos restantes países que partilham este sentimento (4%)”, refere a Intrum, acrescentando, não obstante, que “a principal tendência, com 53% das respostas, é a de que os efeitos do Brexit não irão de modo algum afetar os seus negócios”.

A apreensão das empresas portuguesas é natural, mas esta postura negativa face ao Brexit tenderá a esbater-se com o tempo.

Luís Salvaterra

Diretor-geral da Intrum Portugal

“A apreensão das empresas portuguesas é natural, mas esta postura negativa face ao Brexit tenderá a esbater-se com o tempo. Por outro lado, apesar da maioria das empresas europeias inquiridas considerarem que o Brexit não terá impacto nos seus negócios, o European Payment Report 2018 revela também que os países mais pessimistas consideram que o impacto será maioritariamente negativo”, afirma o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra, citado em comunicado.

O European Payment Report 2018 baseia-se numa pesquisa realizada simultaneamente em 29 países europeus, entre 24 de janeiro e 23 de março de 2018, tendo neste relatório sido reunidos dados de um total de 9.607 empresas em toda a Europa para compreender o comportamento dos pagamentos e a saúde financeira das empresas europeias.

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