Lira turca volta a recuperar fôlego com ajuda da Alemanha e Qatar

A divisa turca recupera esta quinta-feira mais de 2% para 5,8 liras por dólar, estabilizando-se após um colapso que levou a afundar mais de 40% este ano contra a moeda americana.

Angela Merkel lembrou esta quarta-feira Recep Tayyip Erdogan que a Turquia pode contar com a ajuda da Alemanha na crise que enfrenta. Também o Qatar se disponibilizou a apoiar os turcos prometendo um investimento de 15 mil milhões de dólares no país. As duas notícias dão novo fôlego à lira enquanto o Presidente turco tenta proteger a economia do conflito aberto com os EUA.

A divisa turca recupera esta quinta-feira mais de 2% para 5,8 liras por dólar, estabilizando-se após um colapso que levou a afundar mais de 40% este ano contra a moeda americana.

No meio do diferendo entre turcos e americanos está o pastor evangélico Andrew Brunson, detido e em julgamento na Turquia por acusações de terrorismo. Mas a disputa entre os dois países parece estar longe de resolvido, deixando os investidores nervosos perante uma escalada das tensões entre Washington e Ancara através da imposição de sanções e tarifas comerciais.

Esta quarta-feira, Erdogan recebeu o apoio importante da chanceler alemã, com quem falou por telefone para combinar um encontro entre os ministros das Finanças de ambos os país.

Dólar perde força contra a lira

Fonte: Reuters

“Angela Merkel lembra o Presidente turco que tem um potencial aliado em Berlim”, escrevia a agência Bloomberg que citava uma fonte próxima da governante alemã para dizer que a Alemanha quer evitar uma crise financeira na Turquia e não vai permitir o caos económico num país importante para a economia alemã.

“Ninguém tem interesse numa desestabilização económica da Turquia”, disse Merkel esta semana. A Alemanha é o maior parceiro comercial da Turquia, com o comércio entre os dois países a atingir 37 mil milhões de euros em 2017.

Também esta quarta-feira, após um encontro com o Emir do Qatar, foi anunciado um investimento de 15 mil milhões de dólares por parte do emirado, num pacote de projetos económicos, investimentos e depósitos. O dinheiro será injetado nos bancos e no mercado financeiro, disse uma fonte do Governo turco à Reuters.

“O apoio turco ao Qatar durante o conflito do emirado com a Arábia Saudita está finalmente a ser recuperado pela Turquia”, lembrou Tim Ash, especialista da BlueBay Asset Management, citado pela Bloomberg. “Vamos ver se os chineses e os russos vão também por dinheiro em cima da mesa”, acrescentou.

Na terça-feira, Erdogan anunciou um boicote a produtos eletrónicos americanos, como iPhones, numa resposta ao aumento das taxas alfandegárias sobre os metais turcos exportados para os EUA. Ancara também aumentou as tarifas sobre os carros, álcool e tabaco.

Uma porta-voz da Casa Branca disse esta quarta-feira que os EUA não têm planos para retirar estas taxas sobre o aço mesmo com a libertação de Brunson, mas que estariam disponíveis para remover as sanções aplicadas a dois oficiais turcos se o pastor fosse liberto.

(Notícia atualizada às 9h13)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Lira turca volta a recuperar fôlego com ajuda da Alemanha e Qatar

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião