Alerta na CP. “Adiamento dos investimentos” põe em causa continuidade da empresa

O Conselho Fiscal da CP deixa o alerta. Numa altura em que a sua operação está a ser alvo de críticas, ataca "o adiamento dos investimentos no rejuvenescimento" das composições.

A Comboios de Portugal encolheu os prejuízos na primeira metade do ano. Mesmo assim, perdeu 55,3 milhões de euros, prejuízos que agravaram ainda mais a situação líquida da empresa cuja “continuidade e sucesso” depende “não só do suporte financeiro por parte do Estado”, mas também, diz o Conselho Fiscal, do fim dos adiamentos sucessivos dos investimentos no “rejuvenescimento do material circulante”.

“Apesar da melhoria de resultados e dos principais indicadores, a continuidade e sucesso da atividade operacional do Grupo CP depende não só do suporte financeiro por parte do Estado, mas também do impacto dos constrangimentos decorrentes do adiamento da concretização dos investimentos no rejuvenescimento do material circulante”, bem como na infraestrutura ferroviária.

O Conselho Fiscal da CP — a CP tem um Conselho de Administração, um Conselho Fiscal e um Revisor Oficial de Contas, sendo ainda auditada por um Auditor Externo — continua, salientando a necessidade de haver igualmente um “reforço da força de trabalho especializada dos diferentes níveis e áreas funcionais do Grupo, em particular nos serviços de manutenção e reparação de material circulante”.

"Apesar da melhoria de resultados e dos principais indicadores, a continuidade e sucesso da atividade operacional do Grupo CP depende não só do suporte financeiro por parte do Estado, mas também do impacto dos constrangimentos decorrentes do adiamento da concretização dos investimentos no rejuvenescimento do material circulante.”

António Farinha Simão

Presidente do Conselho Fiscal da CP

Estes alertas, deixados no relatório e contas do primeiro semestre deste ano, em que o Grupo CP reduziu os prejuízos de 57,9 para 55,3 milhões de euros, são feitos numa altura em que a operação está no centro das atenções pela fraca qualidade da oferta apresentada aos utilizadores. A ferrovia tem mesmo centrado muito do discurso político, com a oposição a acusar o Governo de nada fazer. E de cativar as verbas para a CP.

As regras de disciplina orçamental em vigor geraram um congelamento de despesa de 95,3 milhões de euros para os transportes ferroviários, de acordo com a informação complementar ao Boletim de Execução Orçamental da Direção-Geral do Orçamento (DGO). No final do primeiro semestre, os cativos mantinham-se intactos. Mais, as novas regras impostas pelo decreto-lei de execução orçamental e publicadas a 15 de maio acrescentaram 20 milhões de euros às cativações da ferrovia.

Liberalização é um “desafio”

Além dos alertas deixados para a situação atual, o Conselho Fiscal, presidido por António Farinha Simão, olha também para o futuro, apontando desafios para a CP. Nomeadamente, a liberalização do setor.

Há “desafios de ordem externa, em particular os resultantes da liberalização do mercado nacional do transporte ferroviário de passageiros, sendo de realçar a necessidade já antes evidenciada de contratualização da prestação do serviço público como forma de assegurar a sustentabilidade do grupo empresarial CP”, refere.

(Notícia atualizada às 20h00 com mais informação)

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