Mesmo com o e-mail, CTT garantem que “é importante ter um serviço de correio”

Na reta final da concessão do serviço público de correio, a empresa reitera que "é importante" manter um serviço de correio, apesar do crescimento do e-mail: muita gente ainda não tem internet.

Francisco Simão, administrador operacional e tecnológico dos CTT.Henrique Casinhas/ECO

Os CTT CTT 8,48% alertam que “é importante continuar a ter um serviço de correio”, porque uma grande parte da população ainda não tem acesso à internet e, entre os que têm, muitos ainda não usam um serviço de correio eletrónico. O alerta surgiu pela voz de Francisco Simão, administrador executivo da empresa, numa altura em que os CTT têm registado quedas sucessivas no tráfego de correio.

O fenómeno está associado à digitalização e tem penalizado os resultados da empresa a cada trimestre, mas o administrador operacional e tecnológico dos CTT reconhece, também, que não há volta a dar. “A tendência [de queda do volume de correio] não vai parar. Isto é o que vai acontecer, faz sentido acontecer e não queremos parar o rio com uma mão”, frisou Francisco Simão, num discurso na Fundação Champalimaud inserido na eID Conference, promovida pela Multicert, empresa de segurança e certificação digital, da qual os CTT são acionistas.

No primeiro semestre deste ano, os CTT registaram uma queda homóloga de 7,9% do tráfego de correio endereçado, para 357,3 milhões de objetos, fator que penalizou os lucros da companhia. O resultado líquido afundou 64,8% para 6,3 milhões de euros entre janeiro e junho, segundo o relatório publicado a 31 de julho.

Francisco Simão deixa assim o repto de que, apesar de os portugueses enviarem cada vez menos cartas, o fim do serviço de correio não é já para amanhã, pelo que é “importante” mantê-lo. Os CTT detêm o contrato de concessão do serviço postal universal com o Estado, que já está na reta final. A empresa deverá ser chamada a negociar com o Governo, já na próxima legislatura, um novo contrato de concessão.

As declarações surgem também numa altura em que a empresa, liderada por Francisco de Lacerda, tem sido pressionada pela Anacom para que melhore a qualidade do serviço postal, depois de a empresa ter falhado dois anos seguidos os critérios de qualidade de serviço que tinham sido definidos pelo regulador. Este ano, os critérios já são diferentes e ainda mais exigentes, algo que os CTT têm vindo a contestar fervorosamente, argumentando que põem em causa a sustentabilidade do serviço postal.

Ainda esta quinta-feira, durante o congresso anual da APDC, o presidente executivo, Francisco de Lacerda, afirmou que, através dos novos critérios de qualidade, todos os carteiros “só podem errar uma carta em cada 1.000 ao fim de cinco dias”. “Se falharem uma vez, falhamos os critérios”, afirmou o gestor.

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