CTT fecham balcões, mas há mais pontos de acesso à rede postal

Dados da Anacom mostram que, enquanto os CTT encerraram balcões, o número de pontos de acesso à rede aumentou. A empresa converteu lojas em postos de correio, mas a concorrência pode ter ajudado.

Os CTT fecharam o primeiro semestre com menos estações de correio, mas o número de pontos de acesso à rede postal no setor aumentou 0,6%, revelou a Anacom. Depois de a empresa ter encerrado estações de correio e aberto novos postos, que são como balcões dos CTT, mas integrados noutros locais públicos, a evolução do setor ditou que os portugueses têm agora mais locais onde aceder à rede postal em Portugal.

“O número de pontos de acesso à rede aumentou 0,6% [no primeiro semestre] (…). Este aumento dos pontos de acesso ocorreu em simultâneo com a redução de 5,4% do número de estações de correio dos CTT”, refere a Anacom num comunicado.

A indicação faz parte do relatório semestral do setor postal, que analisa a evolução do mercado entre janeiro e junho, comparativamente com o mesmo período de 2017. O relatório abrange todos os operadores postais em Portugal, como é o caso dos CTT, mas também da Chronopost, entre outros. Contudo, não é claro se o aumento do número de pontos de acesso à rede se deveu somente à abertura de novos postos por parte dos CTT, ou se também está em causa a abertura de novos pontos por parte de operadores concorrentes.

A empresa liderada por Francisco de Lacerda tem vindo a fechar balcões desde o início do ano, altura em que o ECO revelou em primeira mão a lista das primeiras 22 lojas que a empresa decretou encerrar. Em causa, a redução da despesa fixa e a proximidade com outras alternativas.

O número de pontos de acesso à rede aumentou 0,6% [no primeiro semestre] (…). Este aumento dos pontos de acesso ocorreu em simultâneo com a redução de 5,4% do número de estações de correio dos CTT.

Anacom

Receitas do setor em queda

O relatório da Anacom também lança luz sobre a evolução global do setor em Portugal. As receitas do setor postal encolheram 4% no primeiro semestre comparativamente com o período homólogo, para 313,9 milhões de euros. Os números mostram ainda que o segmento das encomendas continuou a crescer em tráfego e receitas. Segundo os dados, o tráfego de encomendas subiu 11,3% e as receitas com este negócio aumentaram 10,2%, fruto do crescimento do comércio eletrónico.

O relatório do primeiro semestre abrange todos os operadores postais e segue a mesma linha dos dados já revelados pelos CTT, que detêm uma quota de mercado de cerca de 91,2% de todo o tráfego postal. Apesar de elevada, a quota da empresa caiu 1,6 pontos percentuais no semestre.

Os dados da entidade presidida por João Cadete de Matos mostram, em contrapartida, que o tráfego postal continuou a cair, um dado explicado com a digitalização das comunicações. Entre janeiro e junho, as empresas do setor foram responsáveis por menos 6,2% de objetos do que no mesmo período de 2017.

“No primeiro semestre de 2018, a redução de 6,2% do tráfego total dos serviços postais, que atingiu 385,5 milhões de objetos, foi devida à diminuição de 6,4% do tráfego das correspondências, de 7,5% do correio editorial e de 12,3% da publicidade endereçada, a qual foi parcialmente compensada pelo aumento de 11,3% observado no tráfego de encomendas”, indicou o regulador num comunicado.

A receita média por objeto cresceu 2,3% e a Anacom explica a evolução com “vários fatores”, nomeadamente “a descida de 6,2% do tráfego, a redução de 4% das receitas, o aumento de preços promovido pelos CTT em abril e a alteração da estrutura do tráfego, designadamente aumento do peso das encomendas”, explicou a entidade na mesma nota.

O semestre terminou com o setor a registar 14.800 trabalhadores afetos à exploração de serviços postais. É uma redução de 0,2%. O número de pontos de acesso à rede aumentou 0,6% e o número de centros de distribuição subiu 3,2%. A frota de veículos aumentou 4,2% no período.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CTT fecham balcões, mas há mais pontos de acesso à rede postal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião