PêQêPê já tem sucessor na Semapa. E não é da família

Vai ser nomeado um novo presidente da Semapa para ocupar o cargo de Pedro Queiroz Pereira e não é da família. O presidente executivo, Castello Branco, reforça poderes.

Pedro Queiroz Pereira desapareceu no passado mês de agosto, deixando em aberto a presidência da Semapa, a holding do grupo que controla a Navigator e a Secil. Menos de três meses depois, a família Queiroz Pereira, que controla 70% da Semapa, já decidiu quem lhe vai suceder à frente da companhia, e não será nenhuma das três filhas, apurou o ECO junto de fontes que conhecem o dossiê. O nome do próximo chairman da companhia será independente, tudo indica estrangeiro, e poderá ser conhecido nas próximas horas. Vai manter-se assim de forma clara a separação entre a função acionista e a função de gestão.

O empresário, o maior industrial português, morreu aos 69 anos, no dia 18 de agosto, no seu iate, estacionado em Ibiza, na sequência de um ataque cardíaco fulminante. Pedro Queiroz Pereira construiu um dos maiores grupos industriais do país, a Semapa, com as posições de controlo da Secil e da Navigator (antiga Portucel), e tratou de acautelar o futuro do grupo, entregando a gestão executiva a profissionais, fora da esfera familiar. A liderança executiva da Navigator ficou nas mãos de Diogo da Silveira e a da Semapa (holding que detém as empresas Secil e Navigator e onde a família assegura 70% do capital), entregue a João Castello Branco. Para si, PQP guardou a presidência do grupo, tendo mesmo este ano decidido alargar o número de membros do conselho de administração de 11 para 14, incluindo assim as três filhas: Filipa, Mafalda e Lua. Com o seu desaparecimento, o grupo estava obrigado a indicar um novo presidente do conselho de administração que não estava ainda preenchido.

De acordo com as informações recolhidas pelo ECO, já é certo que a escolha recaiu um gestor independente da família, mantendo assim o perfil de gestão profissional decidido por PêQêPê. Inicialmente, admitia-se que uma das filhas poderia suceder ao pai naquela função, mas, por entendimento familiar, o caminho decidido foi outro. Das três, Lua Queiroz Pereira tem uma atividade mais próxima da gestão executiva, nomeadamente na Semapa Next, o braço do grupo para as startups, lançado há poucos meses.

A nomeação do novo chairman da Semapa corresponde, também, a um reforço do papel do presidente executivo, o gestor João Castello Branco. Como o ECO escreveu nos dias seguintes ao desaparecimento de PÊQêPê, foi uma escolha pessoal do industrial, ao contrário de outros gestores do grupo, como Diogo da Silveira, que passou o crivo das avaliações de uma empresa de gestão de recursos humanos. Castello Branco tinha, na altura, 55 anos. O dono da Semapa justificou a sua escolha, dizendo que a alteração visava “reforçar a equipa executiva com um quadro de topo de perfil internacional, com uma carreira sólida e experiência em vários setores de atividade”. E, nos últimos anos, com a progressiva diminuição de atividade de Queiroz Pereira, tinha uma autonomia e um poder quase absoluto na gestão do grupo.

As três filhas de PêQêPê, essas, vão manter-se no board da Semapa, Além disso, integram um family office que foi criado há uns anos, mas que não tem nada a ver com a herança que, agora, receberam. “Há um family office (uma Société de Participations Financiéres ou SOPARFI, no Luxemburgo, que é uma sociedade aberta com ações e não um fundo fechado) com alguns anos entre Pedro Queiroz Pereira e as filhas para gerir uma pequena parte dos ativos financeiros da família. Já o principal bolo das participações de Pedro Queiroz Pereira será herdado por cada uma das filhas”, disse, na altura, uma fonte que conhece este processo.

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