Se situação italiana sair do controlo, não se salva ninguém, alertam Bagão Félix e João Cravinho

  • ECO
  • 18 Novembro 2018

Bagão Félix e João Cravinho defendem que o problema de reestruturação da dívida portuguesa ainda está por resolver. Já sobre Itália, afirmam que "o caso pode ser de vida ou de morte da UE".

Nos dias que correm, cada vez menos se ouve falar na reestruturação da dívida nacional, que continua acima dos 120% do PIB. Em declarações ao Público (acesso condicionado), Bagão Félix e João Cravinho defendem que esse é um problema que ainda está por resolver. Mas passou para segundo plano devido à melhoria da situação económica” e a um “défice perto do equilíbrio”.

Foram dois dos dinamizadores do manifesto de 2014 — documento que juntava a esquerda e a direita na defesa da reestruturação da dívida pública
nos Estados-membros da União Europeia (UE) e não uma negociação bilateral da dívida portuguesa — “que dizia que a dívida e o esforço da dívida era uma impossibilidade para políticas de apoio ao desenvolvimento”, recorda João Cravinho, algo que “era fundamental”, frisa.

Bagão Félix defende que “o assunto continua” na ordem do dia, uma vez que “o que baixou foram os juros” fruto da “política do BCE e isso amenizou a situação, mas o problema continua a ser premente”. Como explicou ao Público,o BCE, ao comprar dívida, amortizou as dívidas nacionais com juros perto do zero”, algo que considera ser uma forma de reestruturação. “Portugal está a reestruturar na prática quando paga dívida mais cara e contrai dívida com juros mais baixos, uma solução que começou no anterior Governo e continua e muito bem no atual”, acrescentou o ministro das Obras Públicas de António Guterres.

Sublinhando a necessidade de se encontrar uma solução a nível europeu, o ex-ministro das Finanças considera que “a nível da UE e os países patrões têm sempre o mesmo tique, só falam dos problemas quando estão cercados por eles”. “A lógica é reativa e não proativa, reage perante uma crise, faz estudos, mas mais nada”, acrescenta

Risco italiano pode contagiar Portugal

“Neste momento as reformas do euro que se preveem não falam deste problema das dívidas, mas há casos colaterais, como é o caso da Itália, cuja situação terá um desenvolvimento hoje imprevisível”, acrescentou Bagão Félix, em declarações ao Público. Para o ex-ministro “é difícil ver como se resolve o problema italiano sem equacionar o da dívida dos Estados-membros”, dado que “a situação orçamental de Itália tem como pano de fundo a situação bancária e a dívida pública”.

Neste sentido, sublinha que “o problema não desapareceu”, apenas “não tem havido força política dos Estados-membros para fazer uma coisa que é fundamental para o futuro do euro”.

Relativamente à dívida portuguesa, João Cravinho refere que esta “não causa preocupação”, uma vez que “se trata de uma pequena economia”. Mas, em contrapartida, “o caso de Itália pode ser de vida ou de morte da UE”. Embora admita que, devido ao “desenvolvimento económico nacional, o perigo de contágio de Itália é menor”, alerta que “se a situação italiana sair do controlo, não se salva ninguém”.

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