Tomás Correia reeleito na Mutualista Montepio. Obteve 42,4% dos votos

  • ECO
  • 8 Dezembro 2018

Tomás Correia venceu. Foi reeleito com 42,4% dos votos numa eleição em que apenas 47 mil dos cerca de 600 mil associados expressaram o seu voto.

A Lista A, encabeçada por Tomás Correia, venceu a corrida à liderança da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), uma das duas entidades que passou a ser supervisionada pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Correia vai assim continuar à frente da mutualista que detém o Banco Montepio.

A lista de Tomás Correia, mas que conta também com Carlos Beato, Virgílio Lima, Idália Serra e Luís Almeida, obteve 42,4% dos votos num ato eleitoral que terminou esta sexta-feira, 7 de dezembro, com a votação presencial na Rua do Ouro, em Lisboa. Nas últimas semanas os associados votaram por correspondência.

Atrás de Tomás Correia ficou a Lista C, de António Godinho, que registou 35,6% dos votos. Obteve um resultado bastante mais expressivo do que os 20,1% registados pela Lista B. Ribeiro Mendes, que em 2015 candidatou-se ao lado de Tomás Correia, acabou assim por ficar em terceiro.

Pouca adesão. Muitos associados, poucos votos

Estas eleições registaram uma taxa de participação bem mais reduzida do que as anteriores. Foram votar 47 mil associados da AMMG, isto num universo de cerca de 480 mil associados que poderiam exercer esse direito — apesar de contar com mais de 600 mil associados. Ou seja, a taxa de participação não foi muito além de 9,8%.

Em 2015 as eleições para a AMMG contaram com cerca de 56 mil votantes, número que também já tinha recuado face aos 84 mil registados no ato eleitoral de 2012.

Idoneidade. Adversários levantam dúvidas

Tomás Correia vai arrancar com um novo mandato à frente da AMMG, o quarto. Prepara-se para prosseguir na liderança da mutualista numa altura em que os seus oponentes colocam dúvidas quanto à sua idoneidade.

Bagão Félix, assumido apoiante de António Godinho nestas eleições, foi um dos que apontou, em entrevista ao ECO24, para a necessidade de avaliação da idoneidade por parte do supervisor que, agora, é a ASF.

Recorde-se que Tomás Correia está a ser investigado pelo Banco de Portugal por causa da sua gestão enquanto presidente do banco Montepio. Além disso, é arguido num processo que nasceu a partir da investigação “Operação Marquês”.

Rumo ao milhão de associados

Tomás Correia tem desvalorizado a questão da idoneidade, tendo garantido, antes do resulta da votação, que caso vencesse iria cumprir o mandato até ao fim. E neste mandato, Tomás Correia tem grandes ambições.

No programa eleitoral, Tomás Correia evitou falar nos prejuízos da AMMG, focando-se antes no “enorme capital de confiança” que tem “junto da sua comunidade de associados”. Fez mira ao objetivo de alcançar “um milhão de associados”, mas também à criação de um “Comité Estratégico do grupo”.

Este comité, a ser criado, será constituído por todos os presidentes das principais sociedades instrumentais, como o Banco Montepio ou a Montepio Seguros, e que se reunirá mediante convocatória do presidente da AMMG no sentido de garantir o alinhamento de todo o grupo e aproveitar sinergias estratégicas.

(Notícia atualizada às 2h25 com mais informação)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Tomás Correia reeleito na Mutualista Montepio. Obteve 42,4% dos votos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião