Portugal demora cada vez mais a atingir excedente das contas externas

Além de Portugal estar a demorar mais a atingir o excedente das contas externas, novembro assistiu a uma quebra no consumo privado, investimento e volume de negócios.

O saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em 1.175 milhões de euros entre janeiro e outubro deste ano, depois de Portugal ter atingido o excedente em agosto. O montante relativo aos primeiros dez meses do ano é inferior aos 2.111 milhões de euros registados em igual período de 2017, enquanto o excedente foi atingido um mês depois do que em 2017 e dois meses depois do que tinha sido registado em 2016.

“Para esta evolução contribuíram, sobretudo, as balanças de bens e de rendimento primário“, revela o Banco de Portugal, numa nota de informação estatística publicada esta quarta-feira. “Até outubro de 2018, o défice da balança de rendimento primário cifrou-se em 5.040 milhões de euros, superando, assim, o défice de 4.240 milhões de euros verificado em igual período de 2017. Este aumento do défice resultou sobretudo do aumento dos dividendos pagos a entidades não residentes em Portugal”.

O défice da balança de bens aumentou 1.492 milhões de euros. Por outro lado, o excedente da balança de serviços cresceu 1.177 milhões de euros, com a rubrica de viagens e turismo a destacar-se. O saldo deste segmento passou de 9.506 milhões de euros para 10.558 milhões de euros, neste período. As exportações de bens e serviços cresceram 6,9% e as importações aumentaram 7,7%.

Fonte: Banco de Portugal

Além de Portugal estar a demorar mais a atingir o excedente das contas externas, a perspetiva de desaceleração da economia em 2018, é confirmada por novos dados económico também conhecidos esta quarta-feira. Apesar do reforço do indicador de atividade económica em outubro, o mês seguinte assistiu a uma quebra no consumo privado, investimento e volume de negócios.

“Em Portugal, o indicador de atividade económica, disponível até outubro, aumentou ligeiramente e o indicador de clima económico, disponível até novembro, diminuiu. O indicador quantitativo do consumo privado desacelerou em outubro, refletindo um contributo positivo menos expressivo de ambas as componentes, de consumo duradouro e não duradouro”, explica o relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O investimento também desacelerou em outubro, devido ao contributo positivo menos expressivo de todas as componentes: construção, material de transporte e máquinas e equipamentos. Considerando a atividade económica da perspetiva da produção, em termos nominais, os índices de volume de negócios na indústria e nos serviços abrandaram, enquanto em termos reais, observou-se uma diminuição menos intensa do índice de produção da indústria e uma aceleração no caso da construção.

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