Depois de vender créditos, Caixa deixa de ser acionista de Vale do Lobo

  • ECO
  • 9 Janeiro 2019

Depois de ter vendidos os créditos relativos a Vale do Lobo há um ano, o banco público também alienou as suas ações que detinha naquele empreendimento turístico. Comprador é fundo ECS.

Depois de ter vendido os créditos relativos a Vale do Lobo há cerca de um ano, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) deixou também de ser acionista daquele empreendimento turístico, isto depois de ter vendido a sua participação ao fundo gerido pela sociedade de capital de risco ECS e que tem o banco público como principal proprietário.

A informação é avançada esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios (acesso pago). A CGD era dono de 24% da Vale do Lobo – Resort Turístico de Luxo, através da Wolfpart. Esta última sociedade foi extinta e o seu património integrado no banco público através de fusão. Não há valores para a venda dos títulos que detinha no empreendimento de Vale do Lobo, localizado em Loulé, tendo a operação sido realizada nas últimas semanas do ano passado.

O comprador foi o Fundo de Lazer e Imobiliário Turístico, da sociedade ECS, a mesma que já tinha comprado os créditos da CGD sobre Vale do Lobo há um ano por 229 milhões de euros. Em contrapartida pelos créditos, o banco liderado por Paulo Macedo passou principal acionista da ECS — a sociedade financiou a compra dos créditos através da emissão de títulos que foram subscritos pela CGD.

A venda de ações de Vale do Lobo já estava prevista, embora se desconhecesse quando é que iria ser realizada.

O jornal lembra que a exposição da CGD ao resort era de 372,2 milhões de euros aquando a operação, embora parte já estivesse reconhecida como perdida — o banco já só contabilizava esse investimento em 265 milhões de euros, sendo que 145 milhões de euros estavam cobertos por imparidades.

Tanto a ECS como o banco recusaram prestar qualquer declaração ao jornal.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Depois de vender créditos, Caixa deixa de ser acionista de Vale do Lobo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião