Alerta precoce para empresas em dificuldades vai chegar “muito rapidamente”

Ministro da Economia prometeu medidas de apoio ao tecido empresarial e anunciou que o mecanismo de alerta precoce a empresas em dificuldades está para breve.

O Governo quer melhorar a saúde financeira e fomentar o crescimento das empresas portuguesas, que considera recuperaram bem da crise. Com este objetivo em vista, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou que o mecanismo de alerta precoce para empresas em dificuldades (aprovado em Conselho de Ministros no final do mês passado) irá começar a funcionar proximamente.

“O mecanismo de alerta precoce, que se enunciou no programa capitalizar, estará à disposição das empresas muito rapidamente. Portugal ficará dotado de uma ferramenta que é das mais modernas na Europa”, anunciou Siza Vieira, na 8.ª Conferência da Central de Balanços do Banco de Portugal, que se realiza esta segunda-feira em Lisboa, com o tema: o dinamismo do setor empresarial.

O ministro da Economia defendeu que as empresas portuguesas “souberam sair bem da crise”, estando mais capitalizadas e dinâmicas com rendibilidades maiores e custos de financiamento menores. Sublinhou que “houve uma grande alteração estrutural” no tecido empresarial, apontando para o forte peso das exportações no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que o Banco de Portugal estima atinja os 50% este ano.

“O Governo quer apoiar o tecido empresarial por forma a que se possa quebrar o tal teto de vidro, as empresas portuguesas possam crescer e criar emprego de qualidade”, acrescentou Pedro Siza Vieira.

"O mecanismo de alerta precoce, que se enunciou no programa capitalizar, estará à disposição das empresas muito rapidamente. Portugal ficará dotado de uma ferramenta que é das mais modernas na Europa.”

Pedro Siza Vieira

Ministro Adjunto e da Economia

O teto de vidro foi um alerta feito no início da conferência pelo governador do banco central, Carlos Costa. Segundo o banqueiro, existem limitações e dificuldades ao crescimento empresarial.

A conferência serviu para apresentar um estudo da Central de Balanços do BdP sobre o dinamismo empresarial em Portugal. Este indica que, na sequência da recente crise, surgiu um empreendedorismo focado em oportunidades de negócio em que a escala, a organização e as necessidades de capital não constituíam fatores determinantes para o sucesso. “Terá sido esta – em paralelo com a emigração – a resposta dos agentes económicos à destruição de emprego provocada pela crise”, defendeu Carlos Costa.

“Mas, se é verdade que este tipo de empreendedorismo facilita o ajustamento económico, há que reconhecer que ele não é suficiente para transportar a economia portuguesa para uma trajetória de crescimento mais elevado”, afirmou o governador do Banco de Portugal.
Para tal, considera necessários dois tipos adicionais de empreendedorismo: focado em oportunidades de negócio com cariz tecnológico e que promova a reestruturação e o crescimento de pequenas e médias empresas já existentes. Com o ministro da Economia na audiência, apelou a políticas públicas que promovam este empreendedorismo, nomeadamente através da adoção de um quadro legal e institucional mais atrativo.

“Numa economia como a portuguesa, em que as empresas familiares detêm uma elevada quota no conjunto das pequenas e médias empresas, a conciliação entre propriedade familiar e profissionalização da gestão constitui um elemento crítico da evolução do tecido empresarial e da economia portuguesa”, referiu, defendendo a profissionalização da gestão nas empresas familiares e destacando o desenvolvimento e disponibilização da figura da “holding familiar”, enquanto tipificação jurídica de um modelo de gestão centralizada das participações sociais dos membros de uma família.

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