Moscovici: “Desaceleração da Zona Euro podia durar mais tempo”

Comissário europeu para os Assuntos Económicos explica revisão em baixa das previsões de crescimento. Fatores externos e internos justificam agravamento do pessimismo.

O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, explicou esta manhã em Bruxelas que a revisão em baixa das previsões de crescimento para Zona Euro se deve a fatores externos mas também internos, e revelou que “os mais recentes dados económicos sugerem que a desaceleração na Zona Euro podia durar mais tempo” do que o previsto em novembro, data das últimas previsões da Comissão, “e prolongar-se para o início de 2019”.

Com um arranque mais fraco do que o esperado, Bruxelas atualizou as previsões de crescimento para o bloco do euro de 1,9% para 1,3%, revelam as Previsões de inverno, publicadas esta quinta-feira pela Comissão Europeia.

Na conferência de imprensa que se seguiu à publicação das previsões, Moscovici adiantou que a segunda metade do ano passado foi pior do que o projetado em matéria de crescimento económico e “esta tendência continuou em janeiro de 2019”.

“Esta perda de gás está ligada ao menor apoio da conjuntura internacional“, afirmou, referindo-se depois às tensões comerciais entre a China e os EUA mas também a um ambiente mais desfavorável na produção industrial da segunda maior economia do mundo.

Tendo em conta o tipo de especialização da produção industrial na Zona Euro e o destino das exportações deste bloco, “a Zona Euro acabou por ser mais afetada por esta desaceleração”.

No entanto, o comissário europeu referiu-se também a fatores internos, como a desaceleração na produção de carros na Alemanha, as tensões sociais no final do ano passado em França, em resultado da contestação provocada pelos coletes amarelos, e a incerteza em torno da política orçamental italiana.

As previsões apresentadas esta quinta-feira concentram-se apenas no crescimento económico e na inflação, não analisando questões relacionadas com política orçamental. Essa análise será feita pela Comissão na primavera.

As incertezas em torno das relações comerciais entre a China e os EUA abrandaram, mas “ainda existem” e “caso não haja um Brexit suave, haverá impacto no crescimento, mais no Reino Unido que na União Europeia“. A Comissão mantém assim riscos descendentes sobre as suas previsões de crescimento.

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