BPI vê menos lucros para o BCP. Corta avaliação do banco de Miguel Maya

BCE vai demorar mais tempo a subir juros e isso vai afetar negócio do BCP. Também a recente emissão de AT1 também vai ter impacto nos resultados. Por isso, o BPI cortou a avaliação do banco de Maya.

O BPI cortou o preço-alvo das ações do BCP BCP 1,87% , baixando também a recomendação do título para “neutral”, isto depois de ter revisto em baixa as estimativas para o lucro do banco liderado por Miguel Maya.

A avaliação dos títulos do BCP foi cortada em mais de 17% para 0,28 euros, com os analistas do BPI a justificarem essa mexida no preço-alvo com o facto de anteciparam menos lucros para o banco. Isto acontece por duas razões: primeiro, porque o Banco Central Europeu (BCE) não deverá subir das taxas de juro tão cedo, o que vai condicionar as receitas com a margem financeira do BCP nos próximos tempos; depois, a recente emissão de 400 milhões de euros em títulos de dívida a contar para capital AT1 (pagou um juro de 9,25%) vai também ter impacto nos resultados do banco.

Por outro lado, a ação tem apresentado fulgor face àquilo que tem sido o desempenho do setor europeu, o que leva o BPI a dizer que o BCP já está a transacionar a níveis próximos dos pares espanhóis. Ou seja, a margem para valorizar ainda mais já não é assim tão evidente.

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“A ação teve um desempenho melhor do que o setor europeu desde o início de 2018, e está agora a negociar numa cotação mais alinhada com os pares espanhóis numa base cotação/valor contabilístico tangível”, sublinha o banco de investimento.

As ações do BCP estão a desvalorizar mais de 1% para os 0,2316 euros na bolsa de Lisboa. O PSI-20 cai, por sua vez, 0,85% para 5.088,06 pontos.

Apesar deste corte tanto na avaliação como na recomendação, a nota do BPI revela pontos positivos no caminho que o banco de Miguel Maya tem realizado nos últimos anos.

“O BCP é uma história de redução de NPL e de custos em Portugal”, dizem os analistas do BPI. “O rácio CET 1 total de 11,8% em setembro permite afastar (ou pelo menos mitigar) preocupações com capital e a capacidade do banco de lidar com o seu stock de crédito malparado”, acrescenta.

Miguel Maya apresenta os resultados anuais do BCP no próximo dia 21 de fevereiro. Até setembro, o banco registou uma subida de 93% do lucro para 257,5 milhões de euros, o que abre a porta ao regresso dos dividendos.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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