Escritórios nas redes sociais? Advocacia já soma seguidores

Do LinkedIn ao Instagram, as sociedades marcam cada vez mais presença nas redes sociais. Falámos com três escritórios sobre como a sua gestão impacta na imagem que querem transmitir online.

Se costuma estar atento às últimas do mundo da advocacia provavelmente já sabe que o Facebook e o LinkedIn são presença obrigatória para as sociedades de advogados. O Instagram é também cada vez mais uma aposta, para se chegar a um público mais jovem, além de a criação de canais no Youtube já ser recorrente.

A verdade é que estas plataformas representam múltiplas oportunidades para os escritórios comunicarem com potencias clientes e outros interessados no mercado da advocacia. Mas as redes sociais não servem só para vender um serviço. Conhecimento, partilha e proximidade são só algumas das coisas que as sociedades oferecem e ganham por via destes meios. É pelo menos essa a experiência da CCA Ontier, da PRA-Raposo, Sá Miranda e Associados e da Garrigues, que contam à Advocatus como gerem a sua presença nas redes sociais.

“As redes sociais oferecem às sociedades de advogados uma oportunidade fantástica de reforçar o posicionamento da marca”, explica Andreia Vicente, diretora do departamento de marketing e comunicação da CCA Ontier. A aproximação passa também por chegar a influenciadores e a thought leaders, garante.

Nos últimos dois anos, a sociedade, que tem presença no Linkedin, Twitter, Youtube, Instagram e Facebook, com a Startinnovation Team, tem vindo a apostar numa presença ativa nas redes sociais, com abordagens que diferem de rede para rede, “tendo em conta o target de cada um dos canais e o nosso público-alvo”.

Do lado da PRA, tanto no Facebook como no LinkedIn, existe uma vontade em aproximar a firma aos seus seguidores, através da partilha de informações úteis sobre as últimas notícias da sociedade.

O objetivo é “dar a conhecer um pouco mais da PRA e da nossa forma de estar, através de conteúdos relacionados com o quotidiano da sociedade, com os advogados, as nossas conferências, fotografias de eventos, de momentos vividos nos diferentes escritórios, citações, prémios recebidos, entre outros”, explica Sofia Godinho, responsável do departamento de comunicação da sociedade.

"As redes sociais são para as ofertas de emprego, principalmente junto dos millennials e da geração Z, os veículos de eleição.”

Sofia Godinho

Responsável do departamento de comunicação da Pra-Sá Miranda e Associados

Também a partilha de artigos e assuntos jurídicos costumam gerar bastante interação com os seguidores do escritório. “As redes sociais são para as ofertas de emprego, principalmente junto dos millennials e da geração Z, os veículos de eleição”, conta. A presença nas redes sociais da Garrigues é essencialmente orientada para o conhecimento.

“Divulgamos artigos profissionais, as nossas newsletters, comentários e publicações, assim como, contribuições dos nossos advogados ao Blog Garrigues”, diz fonte oficial da sociedade. As redes sociais servem também para divulgação de notícias corporativas, eventos e prémios recebidos pela sociedade.

Além disso, fomentam a partilha da “atividade ligada à Responsabilidade Social Corporativa, bem como atividades relacionadas com o talento, desde oportunidades profissionais à nossa presença junto das universidades”, conta a mesma fonte da Garrigues, que tem perfil no Linkedin, no Facebook, no Twitter e no YouTube.

Diferentes redes requerem, porém, diferentes estratégias. No caso do LinkedIn e Twitter, redes com um carácter mais institucional, a CCA Ontier opta por divulgar conteúdos mais corporativos, “como prémios, notícias da CCA, artigos e entrevistas dos nossos advogados, ofertas de emprego, presenças em feiras e jobshops”, explica Andreia Vicente.

Também Sofia Godinho concorda que o LinkedIn é, “sem dúvida”, a rede social mais profissional. Aqui, a PRA foca-se, sobretudo, em oportunidades profissionais, artigos jurídicos e em outros temas da atualidade. “Pretendemos mostrar não só o que fazemos a nível jurídico, mas apresentar a nossa forma de estar e disponibilizar conteúdos que possam ter interesse para quem nos segue”, explica.

No Facebook, a PRA marca presença há cerca de 10 anos. “Na época era a principal rede social e quisemos estar próximos dos nossos clientes de uma forma diferente da tradicional e temos mantido este veículo desde então”, conta a responsável de comunicação do escritório.

“Não significa que com o passar do tempo e com o avaliar de um novo público, de gerações diferentes ou do surgimento de outras redes sociais, isso não se altere. Este é um processo de constante evolução e análise”, salienta. A CCA Ontier marca presença no Facebook através da Startinnovation Team, por isso o conteúdo que divulgam é aquele que é produzido pela própria equipa e “notícias de relevo para o ecossistema empreendedor”, refere Andreia Vicente.

No Instagram, por exemplo, como é uma rede social com uma forte componente visual e direcionada para um público mais jovem, a CCA Ontier procura passar o espírito e a cultura do escritório – “as nossas atividades do CCA Cultura, do CCA Sports e as nossas festas”.

Já no Youtube, a mesma sociedade criou um canal onde divulgam vídeos e declarações dos seus advogados na televisão. “Outra rede social que tem que ser destacada, e que é muito utilizada pelos advogados da CCA, é o Whatsapp. Na era das respostas instantâneas, esta é um canal importantíssimo na comunicação entre clientes e advogados”, admite a diretora de marketing e comunicação do escritório.

Por detrás das redes sociais das sociedades está, por norma, a equipa de comunicação, responsável pela sua gestão. É o caso da PRA-Raposo, Sá Miranda & Associados, que tem a sua equipa disponível para monitorização diária. Contam ainda com alertas para responder a interações e dar feedback.

“Tentamos responder a todos os comentários e mensagens que recebemos, tentando direcionar sempre de acordo com as dúvidas e questões que nos colocam”, afirma fonte da sociedade. Na Garrigues contam com uma Community Manager corporativa, que forma parte da equipa de Intangíveis para coordenar a presença do escritório nas redes sociais. Já na CCA Ontier é a partir do departamento de marketing que esta gestão é feita.

Sobre possíveis limitações das firmas a advogados e demais colaboradores nas suas próprias redes sociais, as sociedades que contactámos não mencionam nenhum código de conduta que lhes seja imposto. Mas todas mencionam regras mais ou menos comunitárias e recomendam “bom senso” no uso destas redes. Na Garrigues, por exemplo, existe uma política sobre redes sociais e blogues.

"Outra rede social que tem que ser destacada, e que é muito utilizada pelos advogados da CCA, é o Whatsapp. Na era das respostas instantâneas, esta é um canal importantíssimo na comunicação entre clientes e advogados.”

Andreia Vicente

Diretora do departamento de marketing e comunicação da CCA Ontier

Esta política “reflete os princípios do Código de Ética que todos os nossos advogados devem respeitar e cumprir, assim como as regras deontológicas da profissão”. Na CCA Ontier não existe nenhum código de conduta, mas foram já dadas formações internas onde advogados e colaboradores puderam aprender algumas boas práticas no uso destes canais de comunicação.

No escritório da PRA o que existe é um manual de boas práticas que aborda a questão do posicionamento da sociedade nas redes e que sugere alguns tópicos a ter em atenção. “Todavia, o que cada advogado coloca nas suas redes toca já numa esfera privada e apelamos sempre ao bom senso de cada um”, diz Sofia Godinho, em declarações à Advocatus.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Escritórios nas redes sociais? Advocacia já soma seguidores

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião