Endividamento da economia sobe para 720 mil milhões de euros no arranque do ano

O endividamento do conjunto da economia portuguesa (de fora está apenas o setor financeiro) arrancou o ano em alta. Subiu graças ao setor público.

O endividamento da economia portuguesa atingiu 720 mil milhões de euros em janeiro, acima dos 716,1 mil milhões de euros acumulados até dezembro do ano passado. São mais 3,9 mil milhões de euros, de acordo com os dados revelados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

Face ao mesmo mês do ano anterior, o endividamento da economia mostra uma quase estabilização, já que nessa data acumulava 719,7 mil milhões de euros. No entanto, em relação ao final de dezembro este indicador desenha uma trajetória de subida.

“Relativamente a dezembro de 2018, o endividamento do setor não financeiro aumentou 3,9 mil milhões de euros. Este aumento resultou do incremento de 3,8 mil milhões de euros no endividamento do setor público e de 0,2 mil milhões de euros no endividamento do setor privado”, diz o banco central na nota publicada onde apenas surgem explicações para a variação face ao mês anterior.

Endividamento da economia

A dívida pública começou o ano a subir devido à emissão sindicada realizada no arranque de 2019, operação com a qual o Estado se financiou em quatro mil milhões de euros.

No setor privado, as famílias e as empresas começaram o ano com comportamentos diferentes. O banco central adianta que “observou-se um acréscimo do endividamento das empresas privadas em 400 milhões de euros e uma diminuição do endividamento dos particulares em 200 milhões de euros”.

Este comportamento das famílias ocorre num momento em que o banco central mostra preocupação com o endividamento dos particulares. O Banco de Portugal tem apertado as regras de concessão de crédito à habitação, impondo um teto à taxa de esforço com a prestação da casa. O arranque do ano foi marcado por uma tendência de queda nos empréstimos para a compra de casa.

O endividamento dos particulares divulgado esta quinta-feira é mais abrangente do que a informação revelada a meio do mês sobre os empréstimos a particulares para a compra de casa, sendo o primeiro um conceito mais alargado. Incluiu mais financiadores – e não mede apenas o financiamento dado pela banca – e reúne informação de mais créditos além da compra de casa, como por exemplo créditos comerciais.

O endividamento do setor não financeiro inclui o endividamento das empresas do setor público, privado e dos particulares. De fora deste indicador calculado pelo Banco de Portugal fica a dívida das instituições financeiras.

Estas evoluções colocaram o endividamento público e privado em 720 mil milhões de euros, “dos quais 320,8 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 399,2 mil milhões de euros ao setor privado”.

A 21 de fevereiro, o banco central revelou que o endividamento da economia medido em percentagem do PIB teria fechado o ano de 2018 em 357% do PIB. A publicação de dados posteriores para o PIB permitiu fechar o número em 355,3%, dilatando assim a queda face ao ano anterior.

(Notícia atualizada)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Endividamento da economia sobe para 720 mil milhões de euros no arranque do ano

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião