Com maior equilíbrio nas ações, é no valor do imobiliário que o FMI vê o risco

FMI alerta que "persistem preocupações com os riscos negativos dos preços do imobiliário numa série de países". E isso é uma ameaça à estabilidade financeira.

O sentimento otimista nos mercados financeiros globais está a permitir uma acumulação de riscos. O alerta é feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que aponta para as vulnerabilidades a médio prazo. Face à correção do preço dos ações para níveis mais equilibrados — depois de os receios com a desaceleração da economia mundial terem causado um sell-off generalizado nas bolsas no final do ano passado –, a sobreavaliação do imobiliário é agora a grande preocupação.

“Após fortes quedas no quarto trimestre de 2018, os mercados financeiros recuperaram no início de 2019. Esta reviravolta no sentimento do mercado tem sido apoiada pela abordagem mais paciente da Reserva Federal norte-americana à normalização da política monetária. Dado o sentimento de bonança, as vulnerabilidades financeiras — como o elevado endividamento e desfasamento de liquidez, maturidade e moeda — poderão continuar a avolumar-se, aumentando os riscos a médio prazo para a estabilidade financeira“, revela o relatório do FMI sobre estabilidade financeira, divulgado esta quarta-feira.

O sell-off de final de ano levou os índices norte-americanos S&P 500 e Dow Jones a fecharem 2018 com desvalorizações de 6,2% e 5,6% respetivamente. Foram as maiores quedas anuais desde 2008. No entanto, o início de 2019 foi de forte inversão: o índice financeiro registou um ganho de 13,07% (o melhor trimestre desde setembro de 2009) e o industrial subiu 11% (um desempenho que não se via desde 2013).

O FMI considera que, nos EUA, a queda nas bolsas no final de 2018 ajudou a reduzir a sobreavaliação dos preços. “Desde então, a recuperação no preço das ações foi acompanhado por uma redução na incerteza face aos resultados empresariais”, refere o fundo de Bretton Woods, sublinhando que “as avaliações acionistas nos maiores mercados parece próxima de valores justos”.

Avaliações mais equilibradas nos maiores mercados acionistas

 

Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira do FMI

Em sentido contrário, a instituição liderada por Christine Lagarde considera que as avaliações no mercado imobiliário “parecem elevadas” face aos fundamentais nalguns países. Dado que os imóveis são frequentemente usados como garantia de crédito a empresas, a FMI alerta que “um ajustamento acentuado nos preços poderá afetar negativamente o acesso empresarial a financiamento”.

O FMI tinha já alertado, na semana passada, que os preços das casas correm o risco de cair abruptamente nos próximos três anos, devido ao abrandamento no crescimento dos preços, a sobrevalorização dos imóveis e o aumento excessivo dos créditos concedidos. Reafirma agora que “persistem preocupações com os riscos negativos dos preços do imobiliário numa série de países”.

“As vulnerabilidades nos setores financeiros soberano, empresarial e não-bancário estão elevados face a standards históricos em vários países e regiões sistemicamente importantes que representam uma parte significativa da economia global”, sublinha.

Quanto aos ativos de risco, o FMI considera que há quatro eventos principais que poderão expor as vulnerabilidades do sistema financeiro: um travão no crescimento económico mais profundo que o esperado, uma mudança inesperada para uma política monetária menos dovish nas economias desenvolvidas, uma crise prolongada da guerra comercial e uma quebra na confiança empresarial e dos investidores devido ao Brexit.

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