Vara enviou dossiê preparado sobre Vale de Lobo. “Não tenho memória de outro caso”, diz ex-diretor

Foi Armando Vara quem introduziu o projeto de Vale do Lobo ao antigo diretor de Empresas Sul da CGD. "Com o dossiê já preparado, não tenho memória de outro caso", confessou Alexandre Santos.

O resort de luxo Vale do Lobo entrou no radar da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na sequência de um e-mail enviado pelo administrador Armando Vara, em junho de 2006, ao então diretor de Empresas Sul, Alexandre Santos, que reconheceu esta terça-feira no Parlamento que “não era habitual” receber propostas de crédito através dos administradores do banco.

Poucos meses mais tarde, em outubro de 2006, a CGD estava a aprovar um financiamento a Vale do Lobo no valor de 170 milhões de euros, mais suprimentos de 50 milhões, isto além de ter entrado com 30 milhões na sociedade Wolfpart que serviu para compor a parte dos capitais próprios que eram exigidos na estrutura de financiamento do projeto. De acordo com a EY, este resort de luxo veio a dar perdas de 75 milhões de euros à CGD. Está na lista dos maiores devedores da CGD.

Alexandre Santos contou na comissão de inquérito à recapitalização da CGD que não tem “memória de ter recebido mais nenhum dossiê preparado“. “Não tenho memória de outro caso”, disse. Aliás, era “ínfimo” o número de propostas de crédito que vinham diretamente da administração, admitiu o antigo diretor.

Quando recebeu o e-mail de Armando Vara, que tinha o pelouro de crédito às empresas na altura, Alexandre Santos ficou com a incumbência de estudar o dossiê com “alguma urgência” para obter uma “resposta rápida”.

Depois, o banco colocou várias “equipas a trabalhar em conjunto para não haver atrasos em relação à decisão”, relatou o antigo diretor de Empresas Sul da CGD, que garantiu que nunca recebeu instruções para a formulação de propostas, nem de Armando Vara.

A 27 de julho de 2016 chegou a conselho de crédito da CGD a primeira proposta de financiamento a Vale do Lobo. “Foi tudo aprovado nas condições da direção geral de risco, nomeadamente a condição de haver capitais próprios e sindicação. Mas o cliente não aceitou”, lembrou Alexandre Santos. Era Diogo Gaspar Ferreira o “interface” entre Vale do Lobo e o banco.

Uma nova proposta de financiamento do resort de luxo vai ao conselho de crédito no dia 25 de outubro de 2006, já depois de a administração da CGD ter decidido entrar no capital da Wolfpart com 30 milhões, enquanto outros seis milhões vieram dos promotores. Foi esta sociedade que substituiu o aval pedido aos promotores que constava na proposta inicial.

A decisão de financiamento ao projeto de Vale de Lobo foi tomada contrariando os alertas das direções comerciais e de risco. Mas Alexandre Santos diz que essa situação não violou as normas internas da altura.

Na altura, a exposição da CGD a Vale do Lobo era de 206 milhões de euros, para um ativo que tinha sido avaliado pelos serviços do banco em 322 milhões de euros, revelou ainda o antigo diretor da CGD.

(Notícia atualizada às 21h07)

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