Centeno admite abrandamento mais prolongado na zona euro

Em entrevista ao Expansión, o ministro das Finanças rejeitou qualquer milagre na recuperação da economia portuguesa, e atribui mérito ao esforço dos portugueses e à prudência do Governo.

O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, admitiu esta terça-feira numa entrevista ao jornal espanhol Expansión (acesso livre, conteúdo em espanhol) que o abrandamento económico na Europa pode ser mais prolongado que o esperado, mas defende que este está relacionado com a incerteza a nível político: “A incerteza cresce quando não se tomam decisões”. Sobre Portugal, diz que não houve milagres na recuperação da economia portuguesa, só esforço e paciência do povo português e prudência na utilização a margem de manobra ganha com a saída do resgate.

Numa entrevista onde passou em revista as principais questões com que se debate a economia europeia, quando falta um mês para as eleições europeias, Mário Centeno rejeitou a possibilidade de uma recessão na economia europeia e continua a antecipar uma aceleração na segunda metade do ano. Ainda assim, admite, o abrandamento pode ser mais prolongado.

“É certo que há uma desaceleração em curso na Europa e talvez seja menos temporária do que prevíamos. Mas tem a ver com riscos políticos. Devo insistir que os fundamentais da economia europeia são sólidos. As previsões apontam para uma recuperação na segunda metade do ano”, afirmou Mário Centeno.

O ministro das Finanças mostrou-se otimista relativamente a um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, e diz que a União Europeia está mais longe de um Brexit sem acordo entre o bloco europeu e o Reino Unido. “Isto reduz a incerteza e o pessimismo na economia”. Ainda sobre o Brexit, Mário Centeno lamentou a decisão do Reino Unido, que classifica como um “capítulo que há que terminar o mais rapidamente possível”.

Sobre as eleições europeias do próximo mês, Mário Centeno diz que a Europa precisa de “liderança e ambição” para que se tomem decisões e se dissipe a ideia de que a Europa demora demasiado tempo a tomar decisões, e que isso promove os eurocéticos e populistas.

Mário Centeno falou ainda da escolha do novo presidente do Banco Central Europeu, que será tomada ainda este ano. Numa altura em que aumenta a especulação que o sucessor de Mario Draghi pode ser o alemão Jens Weidman, conhecido pelas suas posições mais conservadoras e a oposição às medidas não convencionais tomadas pelo BCE nos anos mais recentes, Mário Centeno defende que o futuro presidente do BCE tem de ser “uma pessoal totalmente empenhada no projeto europeu e que dê confiança”.

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