Flexibilidade, seguros e prémios. Além do salário, como pagam as empresas aos colaboradores?

  • Ricardo Vieira
  • 9 Junho 2019

Seguro de saúde, horários flexíveis, trabalho remoto, vouchers para gastarem como quiserem e prémios monetários. Há muito mais além do salário na hora de compensar os colaboradores.

Num mercado em que a procura de profissionais continua a crescer, é fácil perceber que está do lado do colaborador/candidato escolher uma ou outra empresa. E é, com base neste poder de decisão, que a gestão de recursos humanos olha mais atentamente para os chamados fringe benefits, benefícios extra salariais que, à parte de um package salarial, ajudam a atrair novas pessoas num processo de recrutamento e a retê-las, fixando o talento.

Filipa Herédia, corporate affairs manager da Mars Iberia – considerada uma das melhores empresa para trabalhar em Portugal – sabe que as compensações “são uma boa base de motivação para o desempenho”. Na empresa detentora de marcas como M&M’s, Dove ou Whiskas, a semana de trabalho é de quatro dias e meio, todos os anos há 28 dias de férias para gozar, a empresa suporta mais um mês de licença de parentalidade (para mães e pais) e há seguro de vida e seguro de saúde para todo o agregado familiar. Aliás, o plano médico é o benefício mais atribuído por parte das empresas, isto segundo o Total Compensation Portugal 2018 elaborado pela Mercer | Jason Associates.

Além disso, os associados [é assim que se referem aos trabalhadores, “porque desde o primeiro dia que incorporam na Mars é-lhes pedido que tomem decisões como se o negócio fosse seu”] usufruem de um regime de horário flexível e muitos já optam por trabalhar a partir de casa.

A possibilidade de podermos gerir o nosso horário de trabalho e trabalhar fora do escritório são os grandes benefícios”, afirma Rita Pereira, na Mars desde 2015. O pacote de fringe benefits oferecido pela empresa, garante a responsável, “está bastante acima do que o mercado empresarial apresenta aos seus colaboradores”. Mas há outras razões que fazem com que esta market co-pilot continue na empresa. Além da cultura, Rita sublinha “o gosto em poder trabalhar num setor que é bastante dinâmico e que nos coloca bastantes desafios em termos profissionais, dando-nos em simultâneo bastante autonomia. E, sem esquecer a abordagem que a Mars tem relativamente aos planos de desenvolvimento individuais e traçados à medida da evolução de cada um de nós”.

Já para a colega Sandra Pereira, a motivação chega através das marcas que fazem parte do portefólio da empresa. “Permitem fazer projetos completamente diferentes e marcantes”, explica. Além dessa, sublinha “a possibilidade de evolução e desenvolvimento profissional e, naturalmente, os colegas e o ambiente de trabalho”. Há 16 anos da Mars, Sandra Pereira não esconde a importância de poder trabalhar a partir de casa pela maior liberdade e autonomia, assim como admite o desejo de “ver implementado em Portugal o projeto da loja interna da Mars – uma loja em que os colaboradores têm acesso, num só “espaço”, a todos os produtos da empresa”.

“Orgulhamo-nos de ter padrões claros e equitativos, desenvolvidos pelo nosso projeto multinacional “Single Landscape Plus”. Trata-se de um conjunto de coordenadas que vem definir uma referência homogénea de remuneração/retribuição para todos os colaboradores do grupo Mars, existindo uma escala salarial comum para cada função e um padrão de evolução salarial/bónus definido por avaliações transparentes em que o próprio colaborador acompanha todo o processo de desenvolvimento”, acrescenta Filipa Herédia.

Formação e plano de carreira personalizado

“No que diz respeito à formação, a mesma é um direito de cada talento. No entanto, a Mind Source vai além do seu dever e promove um plano de formação alinhado ao plano de carreira individual, facultando as ferramentas necessárias à aquisição de competências dos colaboradores, que enriquecem o conhecimento de cada um e o desenvolvimento das suas soft e hard skills. Apostamos nos nossos talentos e, por este motivo, traçamos um plano de carreira individual, tendo em conta as motivações e ambições de cada um”, explica à Pessoas Rui Reis, diretor executivo da Mind Source, também distinguida como Great Place to Work.

Colaboradores da Mind Source num dos encontros organizados pela empresa.Mind Source

Odete Matos chegou à empresa há quatro anos e, neste percurso, não esquece a aposta na formação e o “apoio dado a cada consultor, que permite conhecer outros consultores e a empresa através do processo de mentoring”. Também Ana Pedro, que foi convidada a integrar a empresa, lembra que foi a aposta no talento que a fez aceitar a proposta de trabalho.

Ambas reconhecem o papel do seguro de saúde (extensível a cônjuge e filhos) e Odete fala da importância em “ter acesso a uma rede de prestadores, não estando assim dependente do plano nacional quando os tempos de espera para atendimento são demasiado elevados”.

Com olho na saúde, a consultora promove “a atividade desportiva através da comparticipação do ginásio e de alguns eventos desportivos”, bem como “o interesse pela adoção de um estilo de vida saudável” com “oferta de fruta no local de trabalho e promoção de workshops gratuitos de postura laboral e de alimentação”, refere Rui Reis. “O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos nossos colaboradores é uma preocupação constante. Todos os que integram a nossa equipa beneficiam de flexibilidade de horário sempre que possível de acordo com o projeto. Beneficiam também de uma rede de parceiros Mind Source Life que coloca à disposição dos nossos talentos e famílias um conjunto de ofertas relacionadas com viagens, cultura, experiências, desporto, telecomunicações, tecnologia, formação, saúde e bem-estar”. “Para além de todos estes benefícios, existem bónus e prémios monetários e distinções para todos aqueles que se destacam durante o ano”, acrescenta o responsável da Mind Source, sublinhando o contributo do pacote de benefícios” que “pode fazer a diferença na escolha da empresa para trabalhar, representa uma vantagem competitiva das empresas quando as restantes variáveis são equiparáveis (salário, etc.). Fazendo as contas, é possível traduzir monetariamente o valor do pacote de benefícios. No entanto só se traduz efetivamente numa poupança monetária se o colaborador valorizar e utilizar estes benefícios, por isso este o valor percecionado poderá variar de colaborador para colaborador”.

Plano de benefícios flexível e customizável

André Belém trabalha na Uniplaces como IT support & administrator e usa o seu benefício extra salarial para pagar a escola da filha, um voucher que cobre quase a totalidade da mensalidade e que não tem impacto ao nível do IRS.

A empresa usa os FlexBen, através dos quais “atribui um valor a todos os colaboradores para poderem usar como preferirem, para além disso, aquando de cada revisão salarial é dada a opção a cada pessoa de utilizar a diferença em FlexBen (total ou parcialmente)”, diz Raquel Santana, head of human resources, explicando que os “colaboradores podem utilizá-los em transportes (passe social), tickets Infância, ticket Educação, ginásio, massagens e tecnologia”.

A sede da Uniplaces no Rossio, em Lisboa, reflete o ambiente da empresa.Uniplaces

Para os colaboradores é uma forma de rentabilizar o vencimento – dados alguns dos FlexBen estarem isentos de IRS e ou Segurança Social, o valor líquido utilizável torna-se superior tornando-se desta forma também um benefício para a empresa”, acrescenta.

Diana Casanova trabalhou três anos em auditoria externa e outro na indústria farmacêutica, e três anos numa empresa de IT, até que surgiu o desafio da Uniplaces. Além da componente salarial, da flexibilidade de horário e dos momentos de convívio organizados, reconhece que “a possibilidade de fazer massagens curtas, uma vez por semana, é um momento de relaxamento que contribui para o bem-estar e saúde, (…) uma das muitas formas que a Uniplaces tem de construir um ambiente que privilegie o bem-estar dos colaboradores”.

É este ambiente de que André também fala e que o faz continuar na empresa, salientando também a existência de “equipas extremamente coesas e constituídas por elementos de várias nacionalidades” e a “localização e estilo do escritório no Rossio”.

O escritório da OutSystems em Lisboa.Hugo Amaral/ECO

 

Esforço para atrair talentos

“Estamos a atravessar uma fase no mercado em que, felizmente, há bastante oferta e procura na área de IT e as empresas têm de se esforçar para atrair os melhores talentos”, reconhece Andreia Soares, product manager na OutSystems.

A empresa, que investiu recentemente um milhão de euros nos escritórios de Braga, “oferece mais do que o salário ou benefícios extra-salariais uma vez que nos preocupamos em entregar uma experiência de motivação e desenvolvimento ímpar às nossas pessoas”, afirma Alexandra Monteiro, vice-president of people na OutSystems, que refere que “a acrescer ao salário e à parte financeira temos efetivamente fringe benefits como carro, gasóleo, plano de dados e seguro de saúde, bem como um cardápio de opções que depois cada um pode escolher para melhor servir a sua realidade num plano de benefícios flexível”.

Para Carlos Sousa, manager, digital strategy & architecture, na OutSystems, “o tempo é um bem escasso e, por isso, a possibilidade gerir, à minha medida, o horário e o local a partir do qual prefiro trabalhar é um benefício excecional”. Além disso, lembra a possibilidade de trabalhar remotamente. “Não só me garante momentos de foco e sem distrações como me permite ganhar minutos preciosos que não são desperdiçados em deslocações”.

Na motivação de mais de mil colaboradores da empresa contribuirá também o bónus anual “pago em quatro tranches ao longo do ano [que] permite aos colaboradores ter um acréscimo significativo nos seus vencimentos”, explica Alexandra, consciente de que é preciso merecê-lo “contribuindo, não só para o atingimento dos objetivos da empresa bem como para manter a cultura da OutSystems”.

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