Acordo com motoristas de matérias perigosas terá impacto nos preços, diz presidente da Prio

  • Lusa
  • 18 Junho 2019

O acordo vai "agravar as condições de fornecimento de prestação de serviços das entidades patronais, das empresas de camionagem, para as empresas de combustíveis", diz Pedro Morais Leitão.

O presidente executivo da Prio, Pedro Morais Leitão, considera que foi alcançada “uma solução rápida” para a greve dos motoristas de matérias perigosas, mas alerta que o acordo terá impacto no preço dos combustíveis no final do ano.

“Acreditamos que esse acordo irá, no final deste ano, agravar as condições de fornecimento de prestação de serviços das entidades patronais, das empresas de camionagem, para as empresas de combustíveis. E isso obviamente acabará por ter repercussões nos preços. Essa é a preocupação que obviamente existe do lado das gasolineiras”, disse Pedro Morais Leitão em entrevista à agência Lusa.

Referindo desconhecer “em detalhe os pormenores” do acordo entre o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas e os patrões, na sequência da greve que em abril levou a que a maioria dos postos de abastecimento ficasse sem combustível, Pedro Morais Leitão considera que “foi conseguida uma boa solução”.

“Pareceu-nos haver grande apoio da opinião pública em relação à causa do sindicato e dos motoristas. Todos concordaram que a função que os motoristas desempenhavam exige uma remuneração mais alta do que a que era anunciada. Mas a verdade é que todas essas pequenas contribuições pesam no custo de levar o gasóleo e a gasolina até aos depósitos dos nossos carros”, alertou o gestor.

Pedro Morais Leitão realçou que “cada uma das pequenas contribuições em si são pequenas”, “mas quando se somam todas ninguém gosta que os combustíveis estejam ao preço que está“. “Quando discutimos os aumentos da incorporação de biocombustíveis, quando discutimos o aumento dos motoristas. Quando tomamos a decisão parece pequeno, mas depois […]”, acrescentou.

O presidente da Prio considerou que o protesto dos motoristas de matérias perigosas mostrou “a dependência do país” do sistema de abastecimento rodoviário, defendendo que deve existir “um sistema de redundância para que essa dependência tão grande deixe de existir”.

Neste contexto, Pedro Morais Leitão elogia o anúncio da intenção do Governo de abastecer o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, por oleoduto, um projeto que deverá ser realizado por privados e estar concluído em meados em 2021, segundo anunciou o ministro do Ambiente e da Transição Energética, Pedro Matos Fernandes, no parlamento.

Também a reorganização da regulação do setor energético, com a imposição do pagamento de uma contribuição pelas empresas, levará a um aumento dos custos, mas o gestor diz-se favorável a essa nova parcela nas contas da Prio uma vez que “vê mais competência no regulador”, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

A reorganização da regulação tem dado bons resultados. Em primeiro lugar, porque do ponto de vista estratégico, parece-me acertado juntar a regulação e a fiscalização da eletricidade à regulação e a fiscalização dos combustíveis. Eram dois mundos totalmente separados. E agora estamos a juntá-los”, defendeu.

Admite que se criou “alguma complexidade adicional”, uma vez que as empresas do setor passam a ter que se articular com quatro organismos: “a ERSE que regula, a ENSE que fiscaliza, a DGEG que tem a componente administrativa e o LNEG com funções técnicas muito específicas”.

“Essa primeira fase está a ser ultrapassada. Vamos começar agora a ganhar os benefícios dessa especialização. Estou favorável a esse aumento de custos, porque vejo mais competência no regulador“, declarou.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Acordo com motoristas de matérias perigosas terá impacto nos preços, diz presidente da Prio

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião