António Costa: “Parte importante dos governos PPE está refém do discurso de Salvini”

O primeiro-ministro português admitiu que o acordo alcançado para os cargos de topo da UE é pior do que as soluções encontradas anteriormente, e que foram bloqueadas pelo grupo de Visegrado e Itália.

Com os candidatos aos altos cargos da União Europeia (UE) já definidos, António Costa volta a acusar os países de Visegrado e Itália de terem formado uma minoria de bloqueio, mostrando-se preocupado pela influência destes agentes em alguns Governos da família do PPE. O primeiro-ministro português admite que os acordos alcançados anteriormente eram melhores, mas sublinha que os socialistas mantiveram as posições.

Por duas vezes tivemos acordos concluídos que permitiam melhor resultado e em particular a presidência da Comissão, mas as divisões internas no PPE não permitiram que acordos se mantivessem válidos“, lamenta Costa, em declarações transmitidas pelas televisões.

Para o primeiro-ministro, pior que terem impedido os acordos foi verificar “a permeabilidade de vários dos governos do PPE ao discurso dos países de Visegrado, que é um fator preocupante para o futuro da Europa”. “Saio preocupado por constatar que uma parte importante dos governos PPE estão reféns do discurso de Salvini“, acrescenta.

Mesmo assim, Costa salienta que sai “confortado” pelo facto de que a “minoria de bloqueio não foi recompensada”, tendo em conta que nenhum destes países conseguiu ganhar um lugar nos cargos de topo das instituições europeias. Agora, “o processo segue noutra instância e vamos aguardar“, completa o primeiro-ministro, que foi também um dos negociadores pela parte dos socialistas.

Os candidatos que saem deste acordo são a alemã Ursula von der Leyen para a Comissão Europeia, a francesa Christine Lagarde no Banco Central Europeu, o belga Charles Michel no Conselho Europeu e o espanhol Josep Borrel para Alto representante para a Política Externa.

Estes nomes emergem de um “esforço grande” para garantir equilíbrio em três áreas, sendo elas o “equilíbrio de género”, o “equilíbrio entre diferentes regiões” e entre “diferentes famílias políticas”, explica Costa.

(Notícia atualizada às 19h45)

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