APB não vê “alerta vermelho” na exposição dos bancos à dívida pública

Norberto Rosa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos, afirmou que bancos deverão continuar a apostar na dívida pública face ao atual contexto do mercado.

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) diz que está a acompanhar o aumento da exposição dos bancos à dívida pública portuguesa nos últimos anos, mas considera que não existe um “alerta vermelho”. É uma “situação comportável”, afirmou Norberto Rosa, secretário-geral da APB, acrescentando que a banca deverá continuar a apostar em títulos de dívida soberana face ao atual contexto de mercado.

“É importante monitorizar e acompanhar esta situação, mas não existe um alerta vermelho. É uma situação comportável no âmbito da atuação dos bancos”, referiu Norberto Rosa esta terça-feira no Parlamento, numa audição pedida pelo grupo parlamentar do PSD. “Não há uma elevada preocupação”, acrescentou aquele responsável.

Norberto Rosa explicou aos deputados as razões pelas quais os bancos estão a comprar cada vez mais dívida pública. Uma vez que têm excesso de liquidez, fruto da desalavancagem da economia, as instituições financeiras têm de procurar alternativas no mercado, entre os quais títulos de dívida. No binómio retorno/risco, a dívida portuguesa “compara bem” com outras soluções, disse o secretário-geral da APB.

Bancos apostam na dívida soberana

Fonte: Banco de Portugal

Além disso, prosseguiu Norberto Rosa, os títulos de dívida são considerados ativos de boa qualidade para o reforço do rácio de capital dos bancos e podem ainda servir como colateral no acesso ao financiamento do Banco Central Europeu (BCE). Catarina Cardoso, diretora-geral da APB, acrescentou que os bancos poderiam depositar o excesso de liquidez junto do banco central, mas pagariam um juro de 0,4%.

Por estes motivos, a APB considera “natural” que “o aumento da exposição possa continuar a ocorrer”, segundo as palavras de Norberto Rosa.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, os bancos nacionais estão a aumentar a sua exposição à dívida soberana portuguesa, tendo atingido 9% do ativo total no final do ano passado, quando em 2008 esse rácio estava apenas nos 1%. E têm sido vários os alertas de instituições internacionais face a esta evolução, como o Fundo Monetário Internacional e o BCE.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

APB não vê “alerta vermelho” na exposição dos bancos à dívida pública

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião