Parlamento Europeu decide hoje se Ursula von der Leyen será presidente da Comissão Europeia

A nomeação da alemã para a Comissão Europeia será votada hoje em Estrasburgo. O descontentamento não deve impedir a sua nomeação, mas a margem será curta e pode trazer-lhe dificuldades no futuro.

Depois de surgir como nome de última hora para desbloquear o impasse nas nomeações para os cargos de topo da União Europeia, a candidata a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen saberá esta terça-feira se conseguirá o apoio do Parlamento Europeu às suas pretensões e às dos líderes europeus. A alemã até deve conseguir a nomeação, mas por uma margem curta que lhe pode valer dificuldades no futuro.

O processo até à consensualização entre os líderes europeus do nome da alemã nascida na Bélgica foi tudo menos fácil. A batalha foi vencida, mas a guerra pode estar longe do fim.

Esta terça-feira, o Parlamento vai votar para decidir se aprova a nomeação de Ursula von der Leyen para presidente da Comissão Europeia e agora, como na altura da sua nomeação, há ainda muitas dúvidas quanto ao apoio que o seu nome terá entre os eurodeputados.

Para começar, a alemã tem contra si os eurodeputados do SPD, o partido social-democrata alemão, que estão incluídos no grupo político dos socialistas no Parlamento Europeu e parceiros de coligação da CDU de Angela Merkel, obrigando mesmo a que a chanceler alemã fosse a única a não aprovar a nomeação de Ursula von der Leyen na votação no Conselho Europeu (absteve-se).

Mas as dificuldades da atual ministra da Defesa da Alemanha não se ficam pelo SPD.

Os principais grupos políticos no Parlamento Europeu fizeram saber publicamente o seu desagrado quanto à decisão dos chefes de Estado e de Governo de ignorarem o processo do spitzenkandidaten – cabeças-de-lista pelas principais famílias políticas europeias – e de escolherem um nome completamente fora da lista.

A primeira consequência foi o Parlamento Europeu não eleger um presidente da Europa Central e de Leste, como foi sugerido pelo Conselho Europeu ao Parlamento (o nome escolhido era o do búlgaro Sergei Stanishev). A escolha acabou por ser o italiano David-Maria Sassoli.

Esse desagrado, e a incapacidade de Ursula von der Leyen de demonstrar as suas propostas ambientais, já lhe valeram o voto contra anunciado antecipadamente pelo grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, a quarta força política e uma das que mais lugares ganhou nas últimas europeias.

Apesar de ter distribuído promessas por Bruxelas e Estrasburgo, a alemã estará, em primeiro lugar, nas mãos dos eurodeputados do Partido Popular Europeu, entre os quais muitos estão insatisfeitos com o bloqueio feito por Emmanuel Macron e pelo grupo dos socialistas ao teórico vencedor das europeias, o spitzenkandidat do PPE, o alemão Manfred Weber.

O futuro de Ursula von der Leyen está também dependente do grupo dos socialistas no Parlamento Europeu, do qual faz parte o SPD que já demonstrou a sua oposição. Mas não é só o SPD que tem reservas. Dentro do grupo há eurodeputados contra esta solução, depois de o seu candidato, o holandês Frans Timmermans, ter sido bloqueado à última hora pelo grupo de Visegrado – Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia – por ter sido a principal cara da atual Comissão na luta pela defesa do Estado de Direito nestes países.

Em terceiro lugar, há ainda o grupo dos liberais de Emmanuel Macron, que apesar de terem expressado menos reservas, também tentaram garantir que a sua candidata, a dinamarquesa Margrethe Vestager, será pelo menos primeira vice-presidente, ao mesmo nível que Frans Timmermans.

No entanto, Ursula von der Leyen já garantiu que só haverá um número dois. E será Frans Timmermans, tal como ficou acordado no Conselho Europeu.

Esta terça-feira, a candidata à nomeação começará pelas 8h00 (hora de Lisboa) a defender as suas credenciais e a tentar convencer os eurodeputados no seu primeiro debate aberto no plenário europeu em Estrasburgo.

Às 17h00, os eurodeputados vão começar a votar. Neste momento o Parlamento Europeu tem 747 eurodeputados, por isso, em teoria, von der Leyen precisará de 374 votos para ser eleita.

A regra implica que a presidente da Comissão Europeia tem de ser aprovada por maioria absoluta. Logo, quando começar a votação o presidente do Parlamento Europeu irá anunciar quantos deputados estão presentes para a votação e o número necessário para se chegar à maioria absoluta necessária para Ursula von der Leyen ganhar o lugar.

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