Centeno em silêncio sobre hipótese de substituir Lagarde no FMI

O ministro das Finanças foi desafiado, por um militante, a ficar no PS, mas remeteu-se ao silêncio. A reação foi a mesma quando questionado pelos jornalistas sobre a hipótese de ir para o FMI.

Mário Centeno é um dos nomes que está em cima da mesa para ser substituir Christine Lagarde, que vai para presidente do Banco Central Europeu (BCE), no Fundo Monetário Internacional (FMI). O primeiro-ministro já admitiu que “é uma hipótese”, mas o protagonista, atual ministro das Finanças, tem-se mantido em silêncio sobre o assunto.

Este sábado, durante a sessão “Contas Certas” que integrou a convenção nacional do Partido Socialista e na qual Mário Centeno era um dos oradores, um militante desafiou o ministro a ficar no PS e fazer parte, caso o partido volte a formar Governo, do Executivo de António Costa.

Centeno ouviu atentamente o militante socialista, mas seguiu com a sessão para perguntas. No final, respondendo ao auditório, o ministro das Finanças não tocou sequer no assunto FMI. Pouco depois, questionado pelos jornalistas, a reação do ministro foi precisamente a mesma: não abriu a boca para falar sobre a possibilidade de ser nomeado diretor-geral do FMI que, aliás, já foi até comentada por António Costa.

Esta sexta-feira, em entrevista à Rádio Observador, o primeiro-ministro confirmou essa hipótese, mas garantiu que não é uma prioridade. “Centeno no FMI é hipótese, mas não é objetivo que tenhamos fixado. Sei também que não era um objetivo de vida pessoal [de Mário Centeno]”, revelou, recusando fazer previsões sobre o desfecho deste processo.

“É prematuro fixar e fazer juízos de probabilidade”, afirmou, reconhecendo que, “neste momento, há um número limitado de Ministros das Finanças que estão na short list”.

Ainda assim, caso o atual ministro das Finanças se venha a mudar para Washington, António Costa antecipou, durante a mesma entrevista, que, “evidentemente”, teria de ser feito “um Governo diferente” do atual. “Não vale a pena antecipar mas, seguramente, não haverá um Governo sem ministro das Finanças e teremos uma boa solução”, rematou.

De acordo com o Wall Street Journal, a short list em causa inclui o ministro das Finanças português, o ex-presidente das Finanças da Holanda Jeroen Dijsselbloem, o governador do banco central finlandês Olli Rehn e a ministra da Economia de Espanha Nadia Calviño.

Recorde-se que esta não é a primeira vez que se fala numa possível saída de Mário Centeno, que é também presidente do Eurogrupo, de Portugal. Nos últimos tempos o futuro do ministro das Finanças tem sido alvo de grande especulação porque havia a possibilidade de Centeno sair do país, nomeadamente rumo ao cargo de comissário europeu. O comentador Luís Marques Mendes chegou a afirmar que a hipótese passou pela cabeça do responsável pelas finanças do país, mas que Centeno decidiu ficar, ir às eleições legislativas de outubro e adiar a carreira internacional.

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