Alemanha liga o motor. FMI vê PIB do euro a crescer 1,6% em 2020

É um dos principais parceiros económicos de Portugal, o motor da economia do velho continente e a razão para o FMI ter revisto em alta (para 1,6%) a estimativa de crescimento para a Zona Euro em 2020.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais otimista sobre a economia da Zona Euro, mas só no próximo ano. No World Economic Outlook (WEO), publicado esta terça-feira, a instituição reviu em alta a projeção de crescimento da região para 1,6%, apoiada por um crescimento de 1,7% da Alemanha. Mas no que todo à economia mundial, o Fundo está mais pessimista: cortou a previsão para em 0,1 pontos percentuais para este ano e para o próximo, para 3,4 e 3,5%, respetivamente.

A projeção para o crescimento da Zona Euro é de 1,3% em 2019 e 1,6% em 2020 (0,1 pontos percentuais acima da projeção de abril)“, revela o fundo, que manteve as projeções para este ano inalteradas.

Por um lado, as estimativas para 2019 foram “revistas ligeiramente em baixa na Alemanha (devido a uma procura externa mais fraca que o esperado, o que também penaliza o investimento”. O FMI antecipa que a economia alemã cresça 0,7% este ano, o que representa uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais. Para Espanha a projeção foi também revista em alta (para 2,3%, de 2,1%) devido ao “forte investimento e fracas importações no início do ano”.

Os dois países são os principais parceiros comerciais de Portugal, pelo que o maior crescimento de ambos ajuda a economia portuguesa, para a qual o FMI vê uma expansão de 1,7% este ano e 1,5% no próximo.

Além de Portugal, a instituição manteve também estimativas inalteradas (em 1,3%) para França, “onde se espera que as medidas orçamentais apoiem o crescimento e onde os efeitos negativos dos protestos populares estão a dissipar-se”, mas também para Itália (de 0,1%), apesar do impacto negativo da incerteza orçamental no investimento e na procura interna.

Recuperação vai depender da guerra comercial e dos emergentes

Já no próximo ano, o caso muda de figura. “Espera-se que o crescimento da Zona Euro recupere ao longo do final do ano e em 2020, dado que se projeta uma recuperação da procura externa e que fatores temporários (como a queda de registos automóveis na Alemanha e os protestos sociais em França) continuam a dissipar-se”, sublinha a instituição até agora liderada por Christine Lagarde sobre a revisão em alta da projeção para o PIB do próximo ano.

Mas a instituição alerta que há riscos que podem comprometer estas contas. “A recuperação do crescimento esperada para 2020 é precária e presume a estabilização do atual stress nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, bem como progressos na resolução nas diferentes políticas comerciais“. O Fundo é, aliás, bastante pessimista quanto ao desempenho das economias emergentes. Este ano a previsão de crescimento foi cortada em 0,3% para 4,8%. Mas, a revisão em baixa mais significativa é do Brasil (-1,3%) para 1,3% em 2019, seguido de uma aceleração para 2,5% no ano seguinte.

Em parte o risco está associado aos Estados Unidos, onde a tendência de crescimento é contrária: mais forte este ano e de desaceleração no próximo. O FMI reviu em alta o crescimento dos EUA para 2,6% em 2019 (mais 0,3 pontos percentuais que em abril) “reflexo de um desempenho mais robusto que o esperado no primeiro trimestre”. Já para 2020, manteve a estimativa de 1,9%, “à medida que os estímulos orçamentais desvanecem”.

Neste cenário de incerteza, o FMI reviu em baixa a projeção para o crescimento económico global. Este ano, vê a economia mundial a expandir 3,2% e, no próximo, 3,5%. Em ambos os casos, representa um diminuição de 0,1 pontos percentuais face às estimativas de abril.

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