Vai de férias para o Algarve? Estas são as 22 bombas de emergência para pôr no GPS

Tem férias marcadas para o Algarve? Atenção porque só 22 bombas de combustível estão incluídas na rede de emergência definida para a greve dos motoristas, que arranca a 12 de agosto.

Se vai de férias para o Algarve, tenha atenção que a greve dos motoristas de matérias perigosas poderá gerar algumas perturbações nos seus planos. Isto porque, em todo o distrito de Faro, apenas 22 bombas de combustível foram incluídas na rede de emergência e serão disponibilizadas aos veículos em geral, durante a paralisação que deverá arrancar a 12 de agosto. E se chegar a um desses postos e já não encontrar combustível, terá de percorrer no limite cerca de 160 km, distância máxima entre as bombas destacadas.

A Entidade Nacional para o Setor Energético publicou, esta sexta-feira, as listas da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento, tendo destacado 326 das 3.068 bombas que habitualmente estão abertas. É em Lisboa que se encontrará a maior número de bombas disponíveis (41), seguindo-se o Porto (41) e Setúbal (28). O Algarve surge mais abaixo, com 22 postos abertos, mais dois do que os que estavam previstos durante a greve de abril dos motoristas de matérias perigosas.

Esta ligeira subida do número de postos disponíveis surge numa altura em que os empresários algarvios têm apelado ao Executivo de António Costa que tenha em consideração que a população nesta região do país tende a triplicar durante os meses de verão.

Ao Público, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve disse-se “preocupado” com os efeitos desta paralisação, dado acontecer em plena época de férias. Segundo Elidérico Viegas, por esta altura, estão na região 1,3 milhões de pessoas, das quais 900 mil deslocadas do seu local de residência.

Viegas recordou ainda que, durante a última paralisação, o Algarve esteve mesmo à beira de uma situação de rutura, uma vez que tinha ficado de fora, numa primeira fase, dos serviços mínimos decretados pelo Executivo. “A situação foi salva in extremis“, sublinhou o responsável, referindo-se ao alargamento dessas medidas excecionais também a esta região que acabou por acontecer.

Desta vez, além dos 22 postos de emergência abertos no distrito de Faro para os veículos em geral, foram destacadas quatro bombas de combustível nesta região para abastecer veículos prioritários, nomeadamente ambulâncias, bombeiros e polícias. Em comparação, em Lisboa, foram definidas nove postos de emergência e no Porto cinco.

O sindicato dos motoristas de matérias perigosas marcou greve para 12 de agosto, reivindicando aumentos remuneratórios. Numa carta aberta, a estrutura sindical ameaçou mesmo que, desta vez, a paralisação vai afetar não só os combustíveis, mas também o abastecimento às grandes superfícies, à indústria e aos serviços.

O Governo ainda não definiu os serviços mínimos que os motoristas terão de cumprir, nem fez saber se irá ou não determinar um limite de abastecimento a que seriam submetidos os veículos em geral. Na última greve, o Executivo decidiu estabelecer um patamar máximo por viatura de 15 litros de gasolina ou gasóleo, nos 310 postos de emergência que tinham sido incluídos na tal rede de emergência. Esta medida de racionamento foi implementada dois dias depois da paralisação se ter iniciado, ocasião em que o país já mostrava sinais de crise energética.

Na altura, a Rede Estratégica de Postos de Abastecimento integrava, no total, 310 postos, que estavam obrigados a reservar pelo menos uma unidade de abastecimento para uso exclusivo das entidades prioritárias. Desta vez, foi definida, contudo, uma rede para veículos prioritários independente, que no Algarve, por exemplo, apenas sobrepõe uma bomba com a rede definida para veículos em geral.

Também para mitigar os efeitos desta paralisação, o secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) sublinhou, em declarações à RTP: “Não vamos interferir diretamente na greve, respeitamos o direito à greve. Mas queremos, tanto quanto for possível, que o impacto nas pessoas, privadas ou coletivas, seja o menor possível”. Para tal, deverão ser melhorados os canais de comunicação entre os vários intervenientes, como as estações de enchimento e carga, as empresas de transporte, as petrolíferas e também com as entidades que estarão no terreno, nomeadamente forças policiais e representantes do Governo.

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