Como é escolhido o diretor do FMI? Seis características que o sucessor de Lagarde tem de ter

O processo de seleção do sucessor de Christine Lagarde arranca na próxima segunda-feira e as candidaturas podem chegar até 6 de setembro. Mas pode não ser fácil preencher todos os requisitos.

É um processo “aberto, com base no mérito, e transparente”. É assim que o Fundo Monetário Internacional (FMI) explica a forma como irá decorrer a seleção de um novo diretor-geral para substituir Christine Lagarde, que se prepara para assumir funções como presidente do Banco Central Europeu (BCE). Mas não é assim tão simples. Da nacionalidade ao apoio, passando pela experiência ou pela idade, as características do candidato são várias.

O próximo diretor-geral do FMI terá uma função de destaque no trabalho do fundo, nomeadamente de liderança do conselho executivo, de gestão de cooperação com entidades exteriores e de comunicação. Quer-se imparcial, objetivo e empenhado. Para chegar a esta pessoa, o fundo lançou uma lista de seis requisitos (semelhantes aos de 2011 e 2016) que têm de ser preenchidos pelos candidatos a sucessores de Lagarde. São eles:

  1. ter um histórico de distinção em decisão de política económica a nível sénior;
  2. ter um background profissional de excelência;
  3. ter demonstradas capacidades de gestão e diplomacia;
  4. ser nacional de um dos países membros do fundo;
  5. ser nomeado por um governador do fundo ou diretor executivo;
  6. ter menos de 65 anos (o que poderá ser alterado se votado pela maioria dos governadores).

O período de candidaturas vai decorrer entre 29 de julho e 6 de setembro, sendo que os nomes propostos serão apenas comunicados ao secretário do fundo e mantidos em segredo. Após este tempo, o secretário irá divulgar, apenas ao Conselho Executivo, os nomes dos nomeados que tenham mostrado interesse em ocupar o cargo.

Shortlisting, reuniões em Washington e avaliações

Caso haja quatro ou mais candidatos, os 24 membros que compõem o conselho irão limitar a lista a apenas três com base no perfil dos nomeados e sem preferências geográficas. O objetivo é que nos sete dias seguintes seja criada e divulgada publicamente uma shortlist com três nomes.

O processo de shortlisting será implementado consoante os candidatos que receberam maior apoio dos diretores, tendo em consideração o seu peso no sistema de voto do FMI. Apesar de o Conselho Executivo poder adotar uma shortlist por maioria, o objetivo não é que o faça por consenso”, clarifica o fundo.

Esta lista poderá vir a incluir um português. O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, é um dos nomes que está em cima da mesa para substituir Christine Lagarde. O primeiro-ministro já admitiu que “é uma hipótese”, mas o protagonista tem-se mantido em silêncio sobre o assunto.

Para isso, Centeno terá de ser nomeado e escolhido para a shortlist. Caso aconteça, irá depois reunir-se em Washington D.C. com o Conselho Executivo, que irá analisar os pontos fortes de cada candidato e tomar a decisão final. O FMI espera completar o processo de seleção a 4 de outubro, dia em que deverá ser escolhido o candidato.

Nessa altura, já Christine Lagarde estará fora da instituição. Após ter sido escolhida, no último Conselho Europeu para próxima presidente do BCE a partir de novembro, a francesa suspendeu funções e, posteriormente, apresentou demissão que terá efeito a partir de 12 de setembro. Até outubro, será então David Lipton a desempenhar funções de diretor-geral interino.

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