Risco de recessão pressiona Europa. BCP penaliza Lisboa

Os investidores estão a vender ações com medo de que se esteja a aproximar uma recessão global. Em Lisboa, o BCP continua a cair e já desvalorizou 31% desde meados de julho.

As bolsas europeias voltam a registar perdas no rescaldo de uma sessão marcada por indicadores económicos pessimistas vindos de várias partes do globo. Os índices do Velho Continente ainda abriram a valorizar, mas acabaram por inverter a tendência numa altura em que os investidores estão a vender ativos com receio de uma recessão generalizada.

Enquanto o Stoxx 600 cai 0,27%, o alemão DAX recua 0,66% e o francês CAC 40 perde 0,48%. Em Portugal, o índice de referência PSI-20 está a desvalorizar 0,43%, para 4.730,49 pontos, pressionado por quedas dos pesos pesados da praça nacional.

O BCP volta a ser penalizado e recua 0,81%, com os títulos do banco liderado por Miguel Maya a negociarem abaixo dos 20 cêntimos. Cada ação do banco está a valer 19,63 cêntimos. Desde 17 de junho, acumula uma desvalorização superior a 31%, perante as perspetivas de que o Banco Central Europeu (BCE) vá cortar os juros em breve, como forma de estimular a economia da União Europeia (UE).

Ações do BCP sob forte pressão em Lisboa

A bolsa portuguesa também está a ser pressionada pelo setor energético. Os títulos da EDP Renováveis derrapam 0,64%, para 9,27 euros por ação, enquanto a Galp Energia está a perder 0,71%, para 12,585 euros, perante novas quedas dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Em Londres, o Brent, referência para as importações nacionais, está a desvalorizar 1,28%, para 58,72 dólares o barril.

Já no âmbito do PSI Geral, uma nota adicional para os títulos da Cofina e da Media Capital, que continuam sem negociar após a suspensão decretada esta quarta-feira pela CMVM. Em causa, uma notícia que deu conta de um memorando de entendimento assinado entre a dona do Correio da Manhã e a Prisa para a compra da dona da TVI. As negociações já foram confirmadas pela Cofina num comunicado enviado aos mercados.

É este o cenário na bolsa nacional numa altura particularmente conturbada para os mercados acionistas. A desvalorização das ações europeias continua, depois de Wall Street ter encerrado a sessão de quarta-feira com o índice Dow Jones a afundar 800 pontos, uma queda acima de 3% que já não se via desde outubro do ano passado. Já o S&P 500 fechou em mínimos de dois meses.

A pressão vendedora consolidou-se na quarta-feira, perante dados económicos pouco animadores vindos da China, mas também a confirmação de que a economia alemã contraiu 0,1% no segundo trimestre. A somar a estes factos, a curva das yields da dívida soberana dos EUA inverteu-se pela primeira vez desde 2007 — isto é, as yields das Treasuries a dois anos ultrapassaram as yields da dívida a dez anos. Nas últimas cinco décadas, este mau presságio só errou uma vez a prever recessão.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Risco de recessão pressiona Europa. BCP penaliza Lisboa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião