Fundo soberano da Noruega quer investir menos na Europa. Só em Portugal tem 1,3 mil milhões

Proposta de realocação de capital para reforçar nos EUA ainda terá de ser aprovada pelo Governo norueguês. Ministra das Finanças vai avaliar na primavera, mas garante que mudanças serão graduais.

O maior fundo soberano no mundo, o Norges Bank, poderá tirar milhões de euros da Europa para reforçar o investimento na América do Norte. A recomendação foi feita esta terça-feira pela gestão do fundo e terá de ser aprovada pelo ministério das Finanças da Noruega. Com 850 mil milhões de euros no final do ano passado, o fundo soberano da Noruega tinha 1,3 mil milhões em Portugal.

O fundo tem historicamente dado maior peso a ações europeias, especialmente países com quem a Noruega tem relações comerciais, em detrimento dos mercados norte-americanos. No entanto, o banco central, que gere o fundo público de pensões, considera que esta estratégia já não é necessária e que seria mais favorável que o portefólio do Norges Bank refletisse a diversidade de investimentos disponíveis.

A recomendação do banco central é que a distribuição geográfica deve ser ajustada em linha com o peso dos mercados disponíveis através de um aumento no peso das ações da América do Norte e redução do peso das ações nos mercados desenvolvidos europeus”, afirmou o banco central da Noruega, numa nota citada pela Reuters.

Será, no entanto, a ministra das Finanças norueguesa, em conjunto com o Parlamento do país, a decidir se aceita ou não a recomendação. A ministra das Finanças, Siv Jensen, já comentou que a recomendação será avaliada na próxima primavera, sublinhando que “a implementação de algum tipo de mudanças no índice benchmark será gradual ao longo do tempo“, de acordo com a Reuters.

Caso aceite, poderá retirar milhões de euros da Europa e realocá-los aos EUA, naquela que será a primeira revisão do peso geográfico dos investimentos desde 2012. Nos últimos seis anos, o fundo soberano já reduziu a exposição a ações europeias de 50% para os 34% registados no final de 2018, de acordo com o último relatório anual. Cerca de 43% dos investimentos do fundo estão na América do Norte e 17% na Ásia.

Norges Bank regressa aos ganhos e volta a valer um bilião

Dos 850 mil milhões de euros do fundo, cerca de 1,3 mil milhões de euros estavam aplicados em Portugal. O montante divide-se por 28 investimentos em ações e obrigações portuguesas, incluindo 17 das 18 cotadas do PSI-20 (a única que fica de fora é a Novabase).

No mercado acionista português, o fundo detinha 854 milhões de euros em ações portuguesas, sendo a EDP a empresa preferida. Já no que diz respeito às obrigações, o Norges Bank tinha ainda em carteira 363 milhões de euros em obrigações do Tesouro português e outros 83 milhões em dívida empresarial.

Fundo reduziu a exposição a Portugal em 2018

Fonte: Relatório Anual do Norges Bank 2018

No ano passado, o maior fundo soberano do mundo perdeu quase 50 mil milhões de euros, tendo sido fortemente penalizado pela perda de valor dos investimentos feitos em ações. A turbulência que se fez sentido nos mercados acionistas ditou uma quebra acentuada no valor destes ativos de maior risco e foi um dos principais fatores que contribuiu para a rentabilidade negativa de 6,1%.

Mas desde o início do ano, a tendência inverteu-se. No primeiro semestre de 2019, o fundo registou um retorno de 3%, que lhe permitiu engordar 25,6 mil milhões de euros para os atuais 917 mil milhões de euros. Ou seja, na divisa norte-americana, voltou a ultrapassar a marca de um bilião de dólares. As ações geraram um ganho de 3%, enquanto o imobiliário deu 0,8% e a dívida 3,1%.

Tivemos um retorno positivo dos investimentos de taxa fixa graças à queda nas yields“, explicou Trond Grande, CEO do Norges Bank Investment Management, em comunicado, na semana passada. O fundo tem mais de 60 mil milhões de euros em obrigações com yields negativas, que valorizam em carteira, enquanto os gestores têm conseguido navegar a volatilidade nas ações.

“A incerteza sobre o comércio e o crescimento económico globais limitaram os retornos no início, mas os mercados valorizaram no final do período, impulsionados parcialmente pelas perspetivas de uma política monetária mais expansionista nos mercados desenvolvidos”, acrescentou Grande sobre os ganhos com o mercado acionista.

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