Brexit: Boris Johnson quer “acelerar o ritmo” das negociações com a União Europeia

O primeiro-ministro britânico tentou tranquilizar os deputados conservadores que se têm manifestado contra a suspensão do Parlamento britânico, dizendo que pretende "acelerar" as negociações.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que deseja “acelerar o ritmo” das negociações com Bruxelas sobre o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O sucessor de Theresa May tentava, assim, tranquilizar os deputados conservadores que se têm manifestado contra a suspensão do Parlamento britânico, avança o The Guardian (acesso livre, conteúdo em inglês).

A declaração de Boris Johnson acontece depois de David Frost, o seu principal negociador, se ter reunido com as autoridades da União Europeia em Bruxelas. Desse encontro, disse Johnson, resultou que ambas as partes concordaram em reunir-se duas vezes por semana. “Desde o meu primeiro dia no cargo, digo que estamos prontos para trabalhar de forma enérgica e determinada para chegar a um acordo. É hora de ambos os lados acelerarem o ritmo“, disse o chefe do Governo.

O Governo de Boris Johnson enfrenta, agora, uma batalha em várias frentes, com o Supremo Tribunal da Escócia, por um lado, a deliberar se a suspensão do Parlamento — que o primeiro-ministro pediu esta quarta-feira, tendo a Rainha Isabel II dado o “sim” — é inconstitucional e, por outro lado, com deputados a elaborarem planos para legislar uma saída sem acordo.

Recorde-se que o chefe do Governo britânico tem vindo a defender que o Reino Unido vai sair da UE a 31 de outubro, “com ou sem acordo”. Vários deputados britânicos não querem enfrentar o cenário de hard Brexit, mas, com esta suspensão, ficam com pouco tempo para avançar com legislação para o evitar ou acautelar, por exemplo com medidas para mitigar os efeitos de uma saída sem acordo. Como a data está já inscrita na lei, se nada for feito até ao final de outubro, a saída é automática.

“UE continuará a proteger os interesses dos seus cidadãos e empresas”

Do lado do bloco comunitário, o principal negociador para o Brexit, Michel Barnier, reforçou mais uma vez, através do Twitter, que a União Europeia ficará do lado da Irlanda, independentemente de qual seja o desfecho deste processo de saída da UE. “Em todas as circunstâncias, a UE continuará a proteger os interesses dos seus cidadãos e empresas, bem como as condições para a paz e estabilidade na ilha da Irlanda. É o nosso dever e a nossa responsabilidade”, escrever.

Já a Irlanda diz que, mais de três anos depois do referendo que ditou a saída do bloco comunitário, o Governo do Reino Unido ainda não foi capaz de apresentar propostas para resolver o problema da fronteira irlandesa, avança a agência Reuters (acesso livre, conteúdo em inglês). O Governo britânico insiste que propôs formas de resolver aquele que tem sido o principal ponto de discórdia, mas a Irlanda acusa a Grã-Bretanha de ser “totalmente irracional”.

“Boris Johnson está a traçar uma posição muito clara e firme, mas é uma posição totalmente irracional, que a UE não pode facilitar” disse Simon Coveney, ministro das Relações Exteriores da Irlanda, em entrevista à rádio Newstalk. Aos jornalistas, Coveney acrescentou que todas as partes querem fazer um acordo, mas, neste momento, “nada de credível veio do Governo do Reino Unido em termos de alternativas”. “Se existem alternativas para o backstop, vamos ouvi-las. E se pudermos fazer um acordo nessa base, que assim seja. Mas tem que ser credível”, rematou.

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