Brexit: Líder escocesa dos conservadores demite-se

Ruth Davidson anunciou a sua demissão, citando razões familiares, mas também o sentimento de "conflito" que diz sentir em relação ao Brexit.

A líder escocesa do partido conservador britânico, Ruth Davidson, anunciou, esta quinta-feira, a sua demissão. Na carta partilhada pela própria no Twitter, Davidson justifica a sua saída não só com razões familiares, mas também com o sentimento de “conflito” em relação à saída do Reino Unido da União Europeia, que diz nunca ter escondido.

Ruth Davidson — que foi mãe há um ano — salienta que, face aos “esforços, à carga horária e às viagens” previstas no quadro das próximas eleições da Escócia em 2021 e de uma eventual ida às urnas antecipada a nível nacional forçada pela oposição, decidiu apresentar a sua demissão, uma vez que a perspetiva de passar essas “centenas de horas” longe da sua família é, para a conservadora, sinónimo de tristeza.

Por outro lado, a líder demissionária dos Tory escoceses salienta que nunca escondeu “o conflito” que sente em relação ao Brexit, tendo tentado sempre orientar o partido de modo a “respeitar o referendo” e mitigar os efeitos desse divórcio.

“Inevitavelmente, muito mudou no curso da minha liderança, tanto a nível pessoal, como num contexto político mais amplo. Ainda que não tenha escondido o conflito que senti em relação ao Brexit, tentei orientar o nosso partido no sentido do reconhecimento e respeito do referendo, paralelamente ao aproveitamento ao máximo das oportunidades e à mitigação dos riscos para os negócios chave da Escócia”, explica a conservadora, na carta conhecida esta manhã.

A demissão de Davidson é anunciada um dia depois da Rainha Isabel II ter aprovado o pedido de Boris Johnson de suspender o Parlamento britânico até 14 de outubro. O chefe do Executivo Tory já negou que este pedido de suspensão tenha como motivação impedir que seja delineado um acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, tendo assegurado que haverá “amplamente tempo” para o fazer.

Ainda assim, muitos são os críticos que consideraram que essa decisão de Johnson foi mais um passo no sentido de um hard Brexit, o que levaria a uma saída desordenada e a graves consequências não só para a economia britânica, mas também para a dos demais países europeus. Ou seja, a posição de Johnson bate de frente com a posição assumida até aqui pela líder escocesa dos conservadores.

De notar que Davidson sempre se assumiu a favor da continuação do Reino Unido na União Europeia, tendo levantado dúvidas sobre as políticas e a liderança de Boris Jonhson. Na véspera da visita do chefe do Executivo à Escócia, a conservadora chegou mesmo a deixar claro que não apoiaria o divórcio em causa, se Londres e Bruxelas não chegasse a um acordo.

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